Arquivo diário: 14/12/2008

Sacrossantum Concilium

Proémio

Fim do Concílio e sua relação com a reforma litúrgica

1. O sagrado Concílio propõe-se fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições susceptíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo, e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja. Julga, por isso, dever também interessar-se de modo particular pela reforma e incremento da Liturgia.

2. A Liturgia, pela qual, especialmente no sacrifício eucarístico, «se opera o fruto da nossa Redenção», contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultâneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na acção e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a acção à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos. A Liturgia, ao mesmo tempo que edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor, em morada de Deus no Espírito, até à medida da idade da plenitude de Cristo, robustece de modo admirável as suas energias para pregar Cristo e mostra a Igreja aos que estão fora, como sinal erguido entre as nações, para reunir à sua sombra os filhos de Deus dispersos, até que haja um só rebanho e um só pastor.

Aplicação aos diversos ritos

3. Entende, portanto, o sagrado Concílio dever recordar os princípios e determinar as normas práticas que se seguem, acerca do incremento e da reforma da Liturgia. Entre estes princípios e normas, alguns podem e devem aplicar-se não só ao rito romano mas a todos os outros ritos, muito embora as normas práticas que se seguem devam entender-se referidas só ao rito romano, a não ser que se trate de coisas que, por sua própria natureza, digam respeito também aos outros ritos.

4. O sagrado Concílio, guarda fiel da tradição, declara que a santa mãe Igreja considera iguais em direito e honra todos os ritos legitimamente reconhecidos, quer que se mantenham e sejam por todos os meios promovidos, e deseja que, onde for necessário, sejam prudente e integralmente revistos no espírito da sã tradição e lhes seja dado novo vigor, de acordo com as circunstâncias e as necessidades do nosso tempo.

3º Domingo do Advento

“No dia seguinte o príncipe voltou.

– Era melhor teres vindo à mesma hora, disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, às três já eu começo a ser feliz. À medida que o tempo avançar, mais feliz me sentirei. Às quatro horas já começarei a agitar-me e a inquietar-me; descobrirei o preço da felicidade. Mas se vieres a uma hora qualquer, nunca posso saber a que horas hei-de vestir o meu coração… São precisos ritos.”

Este excerto de O Principezinho fala-nos da chegada e da alegria que ela provoca, não só o acontecimento mas sobretudo a sua expectativa, o antecipar a alegria que se vai aproximando. Também nós vamos preparando o nosso coração para receber o Amigo, vestindo o nosso coração de amor, humildade e calor para receber a maior maravilha de Deus.

As leituras deste domingo falam-nos dessa alegria, que vem daquilo que Deus faz por nós em cada dia: curar os corações atribulados, proclamar a redenção aos cativos, a liberdade aos prisioneiros. Esta palavra, que Jesus mais tarde leria na sua terra natal, é o programa de vida do Messias, e também o critério de vida para todos aqueles que fazem parte da sua vida, do seu corpo místico.

E nós, muitas vezes, corremos o risco de esquecer que devemos vestir o coração para receber este Principezinho, afogueados que andamos com mil e um preparativos que acabam por esconder o real motivo desta festa. Ou então vestido-o de tanta coisa que acaba por ficar sem espaço para o mais importante.

É por isso que S. João vai exortando os judeus a prepararem os caminhos do Senhor, e que, apesar de pregar no deserto, não descansa no anúncio da mensagem, com a consciência real do seu papel de preparador. Neste caso temos a certeza de que aquele que esperamos vem a horas certas.

Nesta linha S. Paulo diz aos Tessalonicenses para viverem com alegria, por causa da graça que receberam. E também hoje recebemos a mesma mensagem: temos de viver a nossa fé com alegria, e de a celebrar com espírito de festa. Mas tantas vezes as nossas missas são acontecimentos que mais parecem funerais, em que toda a gente está a fazer um grande frete. Se calhar porque normalmente as missas são celebradas pelas almas dos mortos.

Também Isaías anuncia a chegada daquele que anuncia a Boa-Nova aos infelizes, a tratar os corações torturados, a proclamar a emancipação aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar um ano de graça do Senhor. Esta mensagem de esperança e de alegria é dada não aos ricos e aos poderosos, mas ao mais humildes, aqueles que, aparentemente, não têm razões para se alegrar são os que receberão uma alegria verdadeira porque não é artificial, não provém de coisas mas de pessoas.

Mas o nosso deus não é um Deus de mortos, mas é o deus da Vida. E é isso que celebramos em cada natal, e em cada Eucaristia. Assim como João Baptista veio para dar testemunho da luz, cada um de nós tem de ser testemunha desta Luz, que nasce na Noite de natal, uma luz para cada homem, para o novo milénio, quase a começar.

“Os homens […] compram coisas feitas aos compradores. mas como não existem mercadores de amigos, os homens já não têm amigos”.