Arquivo diário: 11/04/2009

Rosário Sábado Santo

1º Mistério – A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras
Do Evangelho de S. Mateus: “Voltando para junto dos discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.»” (Mt 26, 40-41)
No momento mais difícil da vida de Jesus os discípulos dormem como se nada fosse. Os olhos fecham-se ao que se passa à sua volta, não vêm o que se passa com Jesus. Ainda hoje somos tentados a fechar os olhos ao que se passa à nossa volta. Centrados apenas nos nossos problemas, bombardeados por sons e imagens não percebemos a luta e o sofrimento interior dos nossos irmãos. Fechamos os olhos para não sermos incomodados, mas o senhor continua a dizer-nos Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.

2º mistério – A Flagelação de Jesus

Do Evangelho de S. João: “Então Pilatos mandou levar Jesus e flagelá-lo.” (Jo 19, 1)
Para Pilatos aquele era mais um peão na luta pelo poder na Judeia. Trazido pelo Sinédrio percebeu que era uma questão que não lhe dizia respeito, mas sendo um político procurou resolvê-la sem se comprometer. A flagelação foi a busca do mal menor, mas foi o início de um processo iníquo, que terminou com a morte de um inocente. O mal não é tolerável e não pode ser uma desculpa para a a nossa inactividade.

3º Mistério – A Coroação de espinhos

Do Evangelho de S. Mateus: “Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e uma cana na mão direita. Dobrando o joelho diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve! Rei dos Judeus!»” (Mt 27, 29)
O condenado é motivo re passatempo, de divertimento. Cinicamente aproveitam-se do seu pequeno poder naquela altura para troçarem daquele infeliz que lhes caiu nas mãos. Aquele era o momento de manifestarem uma força que não tinham, um poder que não possuíam. Quantos de nós não somos como estes soldados, que se aproveitam dos mais fracos para se divertirem e gozarem, para se engrandecerem aos seus próprios olhos, como balões cheios de ar. Toda a vida é infinitamente valiosa, não pode ser desprezada quando nos convém.

4º Mistério – Jesus caminha com a cruz

Do Evangelho segundo S. Lucas: “Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam.” (Lc 23, 27)
O espectáculo continua: as pessoas têm sede de sangue e de dor. Jesus carrega com a cruz pelas ruas da cidade, por ente as pessoas indiferentes que faziam as compras para a páscoa. Mas há sempre uma grande multidão que se aproxima para o expectáculo, para o sangue, a dor e o sofrimento. Ontem como hoje é isto que dá audiência. Ontem como hoje ninguém ajuda, há quem se lamente, quem chore, mas não fazem nada. A única ajuda é forçada: Simão de Cirene é obrigado a levar a cruz. Que não fiquemos de mãos caídas a lamentarmo-nos. Que sejamos como Verónica que conseguir ajudar um niquinho ao limpar o suor e sangue do rosto de Jesus.

5º mistério – Jesus morre na cruz.

Do Evangelho segundo S. Marcos: “Às 3 da tarde Jesus exclamou em alta voz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mc 15, 34)
Doação total. Aniquilação absoluta. Abandonado pelos seus amigos. Entrega a sua mãe ao discípulo, para que não deixe de o ser, para que seja a nossa mãe. Concede o paraíso a um dos criminosos com Ele crucificado, e a cada um que se arrepende dos seus pecados. Derrama o seu sangue, feito fonte de vida. O próprio Deus se abandona. Jesus reduz-se a nada, todo para todos. Que não nos limitemos a ficar na contemplação deste desespero, porque «se o grão lançado à terra morrer dará muito fruto» (Jo 12, 24)

Filosofia moral na cultura pop

O Henrique Raposo aqui fala da Anakin Skywalker e Bruce Wayne e a questão dos limites na luta pelo bem.

«A resposta de Skywalker à pergunta é, portanto, esta: não há limites para quem procura fazer o bem. A resposta de Bruce Wayne é, precisamente, a oposta: há limites para os guardiões do bem.»

Olhemos agora para a morte de Jesus na cruz, a sua derrota, a vitória do mal. Jesus abandonado por todos, até pelo Pai, num despojamento absoluto foi precisamente por isso capaz de vencer o mal.

Ou seja a resposta que o Henrique Raposo procura não se alcança só com a humanidade, é fundamental a dimensão espiritual da fé e do verdadeiro amor para alcançar o bem absoluto.

O próprio Deus omnipotente se limita na busca do bem: pelo seu amor por nós dá-nos a liberdade de escolher.