3º Domingo do Advento – ano C

Alegria sem heróis

As pessoas dizem que nos dias de hoje já não há heróis. Que já não há ninguém que consiga realizar feitos gloriosos, como aqueles que os nossos antepassados conseguiram. Mas, se reparamos bem, ainda há muita gente que faz coisas extraordinárias, que ultrapassam a memória dos homens. Mas isso só se pode comprovar daqui a umas centenas de anos ou, pelo menos, daqui a umas dezenas de anos.

Mas nem só de heróis vive a história. Ela vive sobretudo daqueles personagens humildes que ajudam a construir o em que vivemos: Nuno Álvares Pereira não teria vencido a batalha de Aljubarrota se não fossem as centenas de soldados desconhecidos que lutaram ao seu lado; as grandes catedrais góticas foram construídas por homens humildes, muitos dos quais não chegaram a ver a sua obra acabada. Mas houve sempre algo que os uniu e que lhes deu forças para suplantarem as dificuldades das suas tarefas.

Também nesta época do advento esperamos alguém, que é a razão do nosso actuar. Como o diz na primeira leitura o profeta Sofonias: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, como herói que te vem salvar.” O profeta diz isto para encorajar os judeus seus contemporâneos a lutarem contra os adversários, mantendo a fidelidade à sua Fé e à sua Lei, a manterem-se fieis à Aliança realizada com Deus.

Tem de haver sempre alguém que caminhe à frente de um grupo conduzindo-o ao seu destino. Esse é também membro do grupo, caminha com ele: são os que assim fazem que são os verdadeiros heróis.

É também isso que João Baptista vem afirmar aos seus contemporâneos, mesmo que o faça de uma maneira estranha para o tempo. No Evangelho deste dia vemos João Baptista, com muitas e diversas exortações, a anunciar ao povo a Boa Nova: a chegada do Messias por esses dias, que iria libertar os pobres das suas prisões não apenas físicas, mas sobretudo sociais.

Não são os pecadores que devem temer a vinda do Cristo Salvador e Redentor, mas sim o próprio pecado do qual se anuncia a libertação. Os pecadores devem alegrar-se porque para eles chegou a libertação daquela negra realidade que os mantém escravos.

Por isso a chegada do Messias, do Salvador, é razão suficiente para nos alegrarmos, pois ele nos mostrou que é possível vencer os verdadeiros inimigos: o pecado e a morte. Mas como diz S. Paulo na segunda leitura não basta confiar no senhor pois Ele não faz o trabalho por nós, é necessário a oração, para descobrirmos aquilo de que necessitamos verdadeiramente. E também para saber o que é que precisamos de fazer para ajudarmos verdadeiramente os nossos irmãos.

Neste domingo de alegria vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance por transmitirmos alegria aos nossos irmãos: a alegria de uma palavra amiga, de um conforto, de coisas pequenas mas verdadeiramente humanas. Para que no meio da agitação diária não nos sintamos perdidos, anónimos, solitários mas personagens importante, fundamentais e necessários da história, mesmo sem nos armarmos em heróis. Deus apenas nos pede que façamos qualquer coisa em concreto para manifestar ais justiça, mais generosidade, mais paz…

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