Domingo de Ramos

Contra a corrente

Hossanas e glórias é o toda a gente deseja: ser notado no meio dos seus pares, ser aclamado como alguém com valor. Mas a vontade das multidões anda ao sabor do vento, de quem a conseguir atrair pelos sentimentos.

Um político, um desportista ou um artista tanto são adorados como deuses, como são rejeitados e espezinhados como lesmas. E nós também nos deixamos arrastar por essas modas, pela fama, nossa e dos outros: apoiamos aqueles que são apoiados e rejeitamos aqueles que os outros rejeitam. Quem escolhe de forma diferente da maioria das pessoas e apontado como alguém diferente.

No tempo de Jesus foi isso que aconteceu: as pessoas que o aclamaram como Messias, com hossanas quando ele entrou em Jerusalém facilmente esqueceram aquilo que tinham dito quando os chefes os levaram a desejar a sua morte. Tudo era espectáculo: tanto a aclamação daquele messias como depois a sua condenação e crucificação. O que eles queriam era estar felizes e satisfeitos sem que ninguém os incomodasse.

Mas Jesus era incómodo: porque os obrigava a sair da sua mediocridade, porque exigia que cada um fosse uma pessoa íntegra e autónoma, descobrindo em si os valores da vida e do amor.

Jesus sabia que essa aclamação, na entrada em Jerusalém, era temporária, sabia o que lhe iria acontecer, e apesar disso aceita a vontade do Pai. Tornando-se homem fez-se totalmente igual aos seus irmãos. Pela sua obediência cumpria a vontade de Seu Pai, sabendo que o seu amor pelos homens implicava o seu sacrifício de uma forma extrema. Foi por esta doação que Deus o exaltou ressuscitando-o, como nos diz S. Paulo na sua carta aos Filipenses. É esta a sua exaltação: a sua ressurreição, o vencer a morte, o único STOP ao qual todos os homens obedecem.

A confiança em Deus era grande, por isso podia dizer como o profeta Isaías: “O senhor Deus veio em meu auxílio, por isso não fiquei envergonhado.” É pelo sacrifício de Jesus que Ele se torna verdadeiramente o Messias, o salvador, por isso é que só depois da sua morte se diz pela boca do centurião: “Na verdade este homem era filho de Deus”. Realmente só então Jesus se tornou no verdadeiro Messias pois só então a sua obra ficou completa, atingindo assim o seu auge.

Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco até ao fim dos tempos.

E nós, hoje, além de reconhecermos que Jesus é o Messias necessitamos de provar essa profissão de Fé pelas nossas obras. Senão somos como os judeus do tempo de Jesus, que O aclamaram por palavras, mas quando tiveram de tomar uma atitude optaram pela via mais fácil. Muitas vezes é necessário avançar contra a corrente, em vez de nos deixarmos ir na onda, com a confiança de que são precisas muitas pedras para fazer um dique que conduza a água para o sítio certo.

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