Precisamos de artistas

Quer queiramos quer não, a Europa assenta no alicerce da Cristandade. Sobretudo a nível artístico, as grandes referências europeias nascem da arte sacra: pintura e escultura, arquitectura, música, etc.

Com a revolução industrial houve uma mudança de paradigma alimentado pelo iluminismo e existencialismo com uma arte mais virada para o narcisismo pessoal do próprio autor, que assumiu expressões abstractas, expressionistas ou impressionistas, ao passo que a arte sacra é simbólica e representativa.

A diminuição do poder económico da Igreja, manifestado em Portugal, pela nacionalização dos bens da Igreja quer no tempo do Marquês de Pombal, quer nos primeiros anos da república, também impediram a continuação do mecenato por parte da Igreja.

A cultra portuguesa moderna e contemporânea é eminentemente anti-clerical, para não dizer anti-católica. Comparemos a forma como os autores portugueses e os franceses, ingleses ou americanos, do séc XIX e XX falam dos padres nas suas obras ou tratam temas religiosos: Chesterton inventa um padre detective, Tolkien e C.S. Lewis invetam novos mundos plasmados da história de Jesus e do Evangelho, Bernanos escreve o “Diário de um padre de Aldeia”.

Mas não é de literatura que eu hoje quero falar. É da pintura e escultura, e também do design.

Há necessidade de espalhar a Mensagem de Fátima como veículo de conversão das pessoas a Jesus. Como o Evangelho essa mensagem é intemporal e dirigida a todas as pessoas, mas a cultura e modo de encarar a vida é diferente hoje do que era em 1917. Hoje, sobretudo os jovens, vivem numa sociedade em rede, do facebook e do twitter, que privilegia o contacto pessoal. Para além disso a imagem tornou-se a principal referência da cultura geral, com uma forte acentuação em imagens icónicas e frases curtas (os 140 caracteres dos SMS e do Twitter).

As estruturas eclesiais e os pastores da Igreja estão longe desta cultura e influência. Quando nós, que somos padres ou temos responsabilidades pastorais olhamos para este desafio de anunciar a Palavra de Deus às novas gerações não sabemos como o fazer, mas também não conhecemos as pessoas que estão preparadas para o fazerem.

Podemos querer fazer uma banda desenhada sobre a vida dos Pastorinhos, mas não conhecemos autores e ilustradores que o possam fazer. Podemos querer fazer documentários para a televisão, sobre a história das aparições ou a Mensagem de Fátima, mas não conhecemos produtores e realizadores. Podemos querer fazer folhetos, sites, materiais de divulgação, mas não conhecemos designers que nos ajudem.

Nestes sete anos que nos separam do centenário podemos fazer muita coisa, mas temos dificuldade em encontrar as pessoas.

Convido os meus leitores a trazerem ideias, a fazerem propostas, a apresentarem os seus port-folios para podermos trabalhar em conjunto no desenvolvimento da cultura portuguesa, sobretudo através das artes.

Recordo os sites do santuário de Fátima http://www.fatima.pt e do centenário das Aparições http://www.fatima2017.org.

Na minha área do serviço pastoral, nomeadamento no que diz respeito ao Movimento da Mensagem de Fátima estamos a trabalhar num projecto da nossa presença autónoma na internet.

O desafio mais premente que tenho é criar material sobre a mensagem de fátima destinado especialmente aos jovens, para aproveitarmos este primeiro ano do centenário e a realização da Jornada Mundial da Juventude em Madrid em Agosto deste ano. Já sabemos que alguns milhares dos jovens que vão participar nesta jornada vão também passar pelo santuário de Fátima e queríamos ter algo preparado especialmente para eles.

Um pensamento em “Precisamos de artistas

  1. Concordo plenamente que os escultores de arte sacra em Portugal com o passar do tempo estão a desaparecer mas ainda temos escultores como os da arte sacra de fanzeres que no meu ver são muito bons em escultura em madeira, talhas, pintura e tudo o que se relaciona com arte sacra.

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