Natal

O livro de Bento XVI agora editado, sobre a infância de Jesus provocou uma grande reacção nos nossos meios de comunicação social e na blogosfera. O maior escândalo, mais ainda do que reafirmar a virgindade de Maria foi o de dizer que no presépio não estavam a vaca e o burro.

O Correio da Manhã e o Público o Expresso e a própria RTP não encontraram nada mais importante do que este pormenor para referirem esta obra, a visão  de um dos grandes teólogos do Séc XX, Joseph Ratzinguer, agora Papa Bento XVI. Como habitualmente a blogosfera foi mais acesa na sua “análise” a esta obra e crítica ao Papa, o que revela uma extrema ignorância.

Mas qualquer pessoa que tenha lido a Bíblia, ou pelo menos os 4 eEvangelhos, sabe bem que no relato da Natividade de Jesus não aparecem referidos estes animais. O presépio, como representação da cena da natividade, foi uma invenção de S. Francisco de Assis em 1223. Também a Bíblia não fala dos Reis Magos, diz que uns magos vieram do oriente a perguntar pelo rei dos judeus, que tinha nascido entretanto. Claro que a tradição tem peso na vida dos cristãos e é essa Tradição, já bimilenar que nos ajuda a compreender a Palavra de Deus e a torná-la actual

Mesmo a própria data do Natal, provocou um certo escândado, sobretudo nas mentes daqueles que fazem alarde do seu afastamento da Igreja.É um facto já sabido há muito pelos cristão: o Natal não é o dia do aniversário de Jesus,é o dia em que a Igreja celebra o nascimento do Filho de deus feito homem. É uma data estabelecida a partir da celebração romana do Sol Invicto, no solstício de Inverno. Para os cristãos Jesus é a luz do mundo, vencedor da noite do pecado e da morte, e por isso foi estabelecida esta data do 25 de dezembro para celebrar o nascimento de Deus encarnado.

Diz o Evangelho segundo S. Lucas, capítulo 2, versículos 16 e 17: “E quando eles ali se encontravam [em Belém], completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa mangedoura por não haver lugar para eles na hospedaria” Ἐγένετο δὲ ἐν τῷ εἶναι αὐτοὺς ἐκεῖ ἐπλήσθησαν αἱ ἡμέραι τοῦ τεκεῖν αὐτήν, καὶ ἔτεκεν τὸν υἱὸν αὐτῆς τὸν πρωτότοκον, καὶ ἐσπαργάνωσεν αὐτὸν καὶ ἀνέκλινεν αὐτὸν ἐν φάτνῃ, διότι οὐκ ἦν αὐτοῖς τόπος ἐν τῷ καταλύματι.

Se os jornalistas tivessem o cuidado de saber mais um bocadinho do que falam poupavam muitas confusões e mesmo desprestígio para o seu trabalho.

3 pensamentos em “Natal

  1. Há quem fique indignado com a perda de protagonismo do jumento e da vaca. Bem, eu penso que a intenção do Papa Bento XVI foi remeter-nos para o essencial. Claro que o burro também teve a sua importância, se não fosse ele S. José e Maria não teriam chegado a tempo a Belém, não teriam viajado para o Egito e escapado à carnificina de Herodes, foi em cima de um jumento que Jesus fez a sua entrada triunfal em Jerusalém.. Enfim, isto só prova a importância do burro na história da humanidade.
    Bento XVI tem uma considerável obra literária, é sem dúvida um dos grandes pensadores do nosso tempo. No entanto, hoje pela primeira vez vi certos jornais em parangonas citarem um trecho de um dos seus livros. Enfim, é caso para dizer que cada um só come a palha que quer… (postado no meu facebook)

  2. Obrigado P. Francisco pela tua oportuna análise. Estou a ler o livro e sinceramente não vejo que confusão possa colocar às cabeças tão iluminadas, mas tão vazias de sabedoria.

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