A onda

Os manifestações que se vão sucedendo no nosso país, os boicotes à ordem estabelecida e ao estado não são positivos.

Pelo contrário, quem conhece a história do mundo, nomeadamente a história da Europa do séc. XX, não pode deixar de ver muitas semelhanças não com revoluções, mas com a génese de sistemas políticos desumanizantes.

Pensamos que já somos suficientemente evoluídos para não nos deixarmos vencer pelas camisas castanhas (ou negras), pelos bolcheviques, que somos suficientemente inteligentes para mantermos a nossa autonomia individual.

Mas o que é verdade é que todos os seres vivem anseiam pela ordem, por uma segurança que assegure a sobrevivência e essa segurança é dada pelo grupo e uniformidade: cardume, manada, enxame, tribo. Á nossa volta a natureza apresenta-se como simétrica, fractal, ordenada. Mas nós homens não somos animais, não nos guiamos pelo instinto.

Isto aconteceu. Na primavera de 1967 Ron Jones, um professor de liceu em Palo Alto, Califórnia, numa das aulas de história, ao falar sobre a II Guerra Mundial foi interrompido por uma pergunta: Como é que a gente comum da Alemanha dos anos 30 e 40 afirmar que não sabiam dos campos de concentração e do extermínio dos judeus? E como é que deixaram que isso acontecesse?

A partir de alguns valores fundamentais, a começar pela virtude da disciplina, presente nos atletas, bailarinas, artistas que dela precisam para alcanção o sucesso, durante 5 dias fez um jogo com os alunos “a terceira onda”: disciplina, comunidade, acção, brio, entendimento.

No fim dos 5 diasos alunos participantes perceberam que se tinham tornado num exemplo claro daquilo que tinha acontecido na Alemanha Nazi. E por isso durante 4 anos mantiveram em segredo essa experiência.

Nesta ligação encontram o relato (em inglês) do professor Ron Jones escrito em 1972The Wave Home é um site dedicado a esta experiencia social.

Como pode isto acontecer? Somo humanos.

Adenda – O filme “A Onda” foi editado em DVD em Portugal pela Prisvideo em 2009.

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