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Sagrada Família

sagrada familia

«Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.» (Lc 2, 39-40)

Hoje queria lembrar todas as famílias que lutam para crescer juntas, com os conflitos de gerações existentes entre pais e filhos, com os problemas da fidelidade a um matrimónio que aparece como mais um produto para consumir, com data limite.

No tempo de Natal, ainda influenciados pela onda de Paz e Amor que nos cobre todos os anos, pensemos na nossa família, pensemos nesta família de Nazaré: dois jovens a quem é dado um filho, que não pensavam ter mas que acolhem com alegria e tudo fazem para que seja feliz e cresça como qualquer rapaz do seu tempo.

Como pais conscientes fizeram o que estavam prescrito na Lei: a apresentação no templo do primogénito. Aí lhes começa a ser revelado o destino que este menino teria. Por isso o Evangelho diz que o pai e a mãe do menino estavam admirados com o que Simeão lhes dizia. Mas o velho não se ficou por uma previsão, sabendo a que o menino estava destinado abençoou os seus pais para que correspondessem da melhor forma áquilo que deles era esperado: que cuidassem do filho durante o seu crescimento até chegar a hora de cumprir a sua tarefa.

Todos os pais têm a tarefa de educar e cuidar dos seus filhos, é uma promessa que fazem na altura do casamento, e não podem delegar essa tarefa apenas nos outros: professores, catequistas, educadores, etc.

Santos Inocentes

The massacre of the innocents

Celebramos hoje, 28 de dezembro, os Santos Inocentes, mártires: as dezenas de crianças com menos de dois anos mortas por ordem de herodes: «Quando Herodes percebeu que fora iludido pelos Magos, encheu-se de grande furor e mandou matar em Belém e no seu território todos os meninos de dois anos ou menos, conforme o tempo que os Magos lhe tinham indicado.» (Mt 2, 16)

Recordo as palavras do Papa Francisco na mensagem de Natal por ocasião da Bênção Urbi et Orbi deste dia de natal: «Hoje, enquanto sopram no mundo ventos de guerra e um modelo de progresso já ultrapassado continua a produzir degradação humana, social e ambiental, o Natal lembra-nos o sinal do Menino convidando-nos a reconhecê-Lo no rosto das crianças, especialmente daquelas para as quais, como sucedeu a Jesus, ‘não há lugar na hospedaria’» 

Mártires inocentes continuam também as ser aquelas crianças mortas ainda no ventre de sua mãe em abortos desejados, santíssimas vezes porque não é conveniente ter um filho. Herodes olhava apenas para o imediato e por isso não hesitou em assassinar os seus concidadãos.

Olhando para o imediato só alcançamos destruição, como o bem sabem todos os revolucionários. Olhando para o futuro encontramos a vida, como o sabem todas as mães e pais.

S. Estêvão

Estêvão, cheio do Espírito Santo, de olhos fitos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé à sua direita e exclamou: «Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus». (Act 7, 55-56)

S. Estevão foi o primeiro mártir e é significativo que a sua festa litúrgica seja celebrada no diz 26 de dezembro, logo a seguir ao Natal, mostrando assim que o nascimento de Jesus está ligado à dádiva da Sua vida na cruz.

Dia de Natal

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Na missa do dia deste Natal escutamos o prólogo do Evangelho de S. João:

«No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou (εσκηνωσεν) entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «É deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.» 

No original grego εσκηνωσεν significa fazer uma tenda, acampar. Esta palavra significa a condição de peregrino de Deus entre a humanidade: ele é peregrino com com todas as pessoas, a caminho da morada segura que é Deus.

Você na TV

Mais uma triste participação dos representantes da Igreja Católica num programa de TV, agora sobre a diminuição da prática religiosa.

Como é que o porta-voz da Conferência Episcopal tem tão pouco jeito para a comunicação eficaz da doutrina da Igreja?

Limitou-se a enrolar, a querer agradar a gregos e troianos e prestou um mau serviço à Igreja.

Bastava dizer: somos livres de pertencer à igreja, mas quem quer ser cristão tem se seguir Cristo na radicalidade do seu chamamento, tem que lhe dizer sim sem contemporizações. É preciso assumir a responsabilidade de ser cristão. Como é que alguém pode ser educador da fé cristã sem viver essa mesma fé?

Nossa Senhora das Dores

Hoje celebramos a memória de Nossa Senhora das Dores.

É a única memória litúrgica que mantém a sequência, que é um hino que se canta na missa antes do Evangelho. As restantes três sequências são: da Páscoa, do Pentecostes e do Corpo de Deus.

Esta sequência é mais conhecida pelo seu nome latino “Stabat mater” musicado por muitos músicos da época clássica, sobretudo Palestrina e Pergolesi.

A letra da sequência em português é a seguinte:

Estava a Mãe dolorosa, / Junto da cruz lacrimosa, / Enquanto Jesus sofria.
Uma longa e fria espada, / Nessa hora atribulada, / O seu coração feria.
Oh quão triste e tão aflita / Padecia a Mãe bendita, / Entre blasfémias e pragas,
Ao olhar o Filho amado, / De pés e braços pregado, / Sangrando das Cinco Chagas!
Quem é que não choraria, / Ao ver a Virgem Maria, / Rasgada em seu coração,
Sem poder em tal momento, / Conter as fúrias do vento / E os ódios da multidão!
Firme e heróica no seu posto, / Viu Jesus pendendo o rosto, / Soltar o alento final.
Ó Cristo, por vossa Mãe, / Que é nossa Mãe também, / Dai-nos a palma imortal.
Maria, fonte de amor, / Fazei que na vossa dor / Convosco eu chore também.
Fazei que o meu coração / Seja todo gratidão / A Cristo de quem sois Mãe.
Do vosso olhar vem a luz / Que me leva a ver Jesus / Na sua imensa agonia.
Convosco, ó Virgem, partilho / Das penas do vosso Filho, / Em quem minha alma confia.
Mãos postas, à vossa beira, / Saiba eu, a vida inteira, / Guiar por Vós os meus passos.
E quando a noite vier, / Eu me sinta adormecer / No calor dos vossos braços.
Virgem das Virgens, Rainha, / Mãe de Deus, Senhora minha, / Chorar convosco é rezar.
Cada lágrima chorada / Lembra uma estrela tombada / Do fundo do vosso olhar.
No Calvário, entre martírios, / Fostes o Lírio dos lírios, / Todo orvalhado de pranto.
Sobre o ódio que O matava, / Fostes o amor que adorava / O Filho três vezes santo.
A cruz do Senhor me guarde, / De manhã até à tarde, / A minha alma contrita.
E quando a morte chegar, / Que eu possa ir repousar / À sua sombra bendita.

Santiago Compostela

Esta é uma das mais belas cruzes consacratórias que encontrei.

Na Catedral de Santiago de Compostela as cruzes são ricamente ornamentadas e cada uma tem uma frase referente à consagração.

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Comunhão na mão

5ª Catequese Mistagógica de S. Cirilo de Jerusalém (315 – †386)

21. Ao te aproximares [da comunhão], não vás com as palmas das mãos estendidas, nem com os dedos separados; mas faz com a mão esquerda um trono para a direita como quem deve receber um Rei e no côncavo da mão espalmada recebe o corpo de Cristo, dizendo: «Amém». Com segurança, então, santificando teus olhos pelo contato do corpo sagrado, toma-o e cuida de nada se perder. Pois se algo perderes é como se tivesses perdido um dos próprios membros. Dize-me, se alguém te oferecesse lâminas de ouro, não as guardarias com toda segurança, cuidando que nada delas se perdesse e fosses prejudicado? Não cuidarás, pois, com muito mais segurança de um objeto mais precioso que ouro e pedras preciosas, para dele não perderes uma migalha sequer?

Páscoa

Andei um bocado ressacado pelas celebrações do Tríduo Pascal. Mas como os dias da semana ainda contam, liturgicamente, como dia de páscoa aqui vai um link para se entreterem.

São 4 hinos pascais pela Capela Musical Sistina.

Cultura C e P

Tenho lido com muita atenção a tese do Pedro Arroja no blog Portugal Contemporâneo.

As leituras que tenho feito levam-me a concluir que mais do que o catecismo é no missal que encontramos a síntese da Doutrina Católica. Os missais são anteriores aos catecismos. Nunca a pregação foi separada da liturgia. Logo no dia de páscoa encontramos essa comunhão íntima no episódio dos discípulos de Emaús.

Comparando a liturgia católica com a liturgia protestante encontramos muitíssimas diferenças. A mais importante reside na celebração da missa: o ponto culminante e a fonte da vida cristã, para utilizar as palavras do Concílio Vaticano II, que não existe nas Igrejas protestantes cujo culto gira absolutamente centrado apenas na bíblia.

Há uma pequenno livro do beneditino Lambert Beauduin “La Piété de L’Église: Principes et Faits” que marca o início da reforma litúrgica que explica a liturgia como fonte da Vida da Igreja. Este livro que explica a missão da Igreja como caminho para levar os homens a viver a viver a superabundante vida de Deus.

Consagração

Na missa os cristãos marcam o ponto mais importante da celebração estando de joelhos. Este momento acontece durante a consagração. Ninguém se engana no momento de pôr de pé depois da consagração, o problema é encontrarem o momento certo para se ajoelharem.
A Instrução Geral do Missal Romano indica no nº 43 que os fiéis estão de pé durante a oração eucarística e de joelhos durante a consagração. o n~96 diz ainda que os fiéis devem formar um só corpo, e que esta unidade se manifesta em beleza nos gestos e atitudes corporais que os fiéis observam todos juntamente.
Por isso os fiéis só de sevem ajoelhar depois da Epiclese (a invocação do Espírito Santo e a cruz que o presidente da celebração faz sobre os dons do pão e do vinho) e quando se inicia a narração da instituição.
No Cânone Romano ou Oração Eucarística I: Na véspera da sua paixão…
Na Oração Eucarística II: Na hora em que Ele Se entregava…
Na Oração Eucarística III: Na noite em que Ele isa ser entregue…
Na Oração Eucarística IV: Quando chegou a hora…
Na Oração Eucarística V: Na véspera da sua paixão, durante a última ceia…