Arquivo da categoria: Sociedade

Charlie Hebdo

Como se custuma dizer, a minha alma ficou parva quando vi hoje a capa que o “famoso” jornal satírico francês Charlie Hebdo escolheu para celebrar o aniversário do ataque de fundamentalistas islâmico à sua redacção.

Usando uma iconografia cristã (um velhote de barbas tendo na cabeça um triângulo e um olho, com uma metralhadora e as mãos ensanguentadas) com a legenda  “1 an après l’assassin court toujours” querendo justificar a necessidade do secularismo acabam por chamar assassinos aos que seguem a fé católica, porque não têm coragem de criticar o islamismo, com medo de mais atentados. E como nós cristãos não reagimos com armas à troça que fazem de nós é assim que nos retratam.

Isto já não é apenas duplicidade de critérios, é reflexo da esquizofrenia de uma Europa iluminada que rejeita os seus alicerces e que por isso não é capaz de construir nada a não ser castelos no ar.

50 sombras de Grey

Como é que uma livro, e agora um filme, que rebaixa absolutamente a mulher tem sucesso precisamente entre o público feminino?
Não li o livro mas os excertos e críticas que li são suficientes para perceber que aquilo que E. L. James escreveu como fan-fic a partir da série Twilight e se transformou num sucesso editorial em 2012 é absolutamente degradante, não apenas pela qualidade da escrita, mas sobretudo pela desvalorização e degradação da mulher.
Os fans dizem que Anastasia (a personagem feminina) é uma verdadeira heroína que consegue “salvar” Christian com o seu amor. Mas isso é uma parvoíce.
A associação Americana das Famílias (AFA) fez um comunicado em que afirma que o livro e filme glorifica a violência sexual, assédio e perseguição social, intimidação e isolamento.
Este artigo explica que nada na relação entre os dois é saudável. Um blog intitulado 50 sombras de abuso esclarece os abusos sofridos por Anastasia.
Aqui, aqui e aqui estão várias indicações de lista dos sinais de abuso presente nas 50 sombras de Grey, da parte de Christopher Grey: ciúme, constante perseguição e verificação da localização do outro, controlo, isolamento, enfeitiçamento, rápido envolvimento, expectativas exageradas, transferência da culpa, hipersensibilidade, uso de força na relação sexual, papéis sexuais rígidos, mudanças de humor bruscas, história de abuso, ameaça de violência, violência verbal. Da parte de Anastasia: sente-se confusa sobre a relação é o seu comportamento;
constantemente tentando recompor Chistian; choro incontrolável, sentindo-se sempre emocional; escondendo o que se passa dos amigos, com medo que eles censurem a sua passividade; excepcionalmente prudente em dizer algo a Christian com medo da reação dele; sentindo-se inadequada, pensando que não é capaz de satisfazê-lo, ignorando-nos seus próprios sentimentos e necessidades; sente-se insegura, começando a ficar com ciúmes de relações anteriores; tornando-se distante e uma sombra de si própria, chegando ao ponto da família lhe começar a perguntar o sue se passa, e ela fica calada com medo da reação de Chistian.
O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Esatados Unidos, apresente esta lista. O Jornal of Women’s Health publicou em 2014 um estudo sobre esta livro com o título “Double crap! Abuse and Harmed Identity in Fifty Shades of Grey” (Caraças! Abuso e identidade ferida 50 sombras de Grey
Para terminar uma página do facebook denunciando o abuso e degradação sexual de 50 sombras de grey.

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A onda

Os manifestações que se vão sucedendo no nosso país, os boicotes à ordem estabelecida e ao estado não são positivos.

Pelo contrário, quem conhece a história do mundo, nomeadamente a história da Europa do séc. XX, não pode deixar de ver muitas semelhanças não com revoluções, mas com a génese de sistemas políticos desumanizantes.

Pensamos que já somos suficientemente evoluídos para não nos deixarmos vencer pelas camisas castanhas (ou negras), pelos bolcheviques, que somos suficientemente inteligentes para mantermos a nossa autonomia individual.

Mas o que é verdade é que todos os seres vivem anseiam pela ordem, por uma segurança que assegure a sobrevivência e essa segurança é dada pelo grupo e uniformidade: cardume, manada, enxame, tribo. Á nossa volta a natureza apresenta-se como simétrica, fractal, ordenada. Mas nós homens não somos animais, não nos guiamos pelo instinto.

Isto aconteceu. Na primavera de 1967 Ron Jones, um professor de liceu em Palo Alto, Califórnia, numa das aulas de história, ao falar sobre a II Guerra Mundial foi interrompido por uma pergunta: Como é que a gente comum da Alemanha dos anos 30 e 40 afirmar que não sabiam dos campos de concentração e do extermínio dos judeus? E como é que deixaram que isso acontecesse?

A partir de alguns valores fundamentais, a começar pela virtude da disciplina, presente nos atletas, bailarinas, artistas que dela precisam para alcanção o sucesso, durante 5 dias fez um jogo com os alunos “a terceira onda”: disciplina, comunidade, acção, brio, entendimento.

No fim dos 5 diasos alunos participantes perceberam que se tinham tornado num exemplo claro daquilo que tinha acontecido na Alemanha Nazi. E por isso durante 4 anos mantiveram em segredo essa experiência.

Nesta ligação encontram o relato (em inglês) do professor Ron Jones escrito em 1972The Wave Home é um site dedicado a esta experiencia social.

Como pode isto acontecer? Somo humanos.

Adenda – O filme “A Onda” foi editado em DVD em Portugal pela Prisvideo em 2009.

Celibato

Nao suporto ver gente inteligente, que escreve em jornais e tem blogs com milhares de visitas a caírem num erro estúpido que já tem dezenas de anos.

Desde pequeno que me habituei a ouvir dizer que a infidelidade dos padres ao seu voto de castidade e a origem dos seus pecados sexuais estava no facto de eles nao casarem. Se tivessem esposa, nunca andariam a a desviar as mulheres dos outros, nunca teriam filhos bastardos.

Agora o tema regressou com mais força por causa das acusações de pedofilia e homossexualidade, como podem ver aqui, aqui e aqui.

Pois. E os homens e mulheres casados são fidelíssimos ao cônjuge, nao têm amantes, não são pedófilos ou mesmo homossexuais reprimidos. A vida dos homens e mulheres casados é o paraíso e os padres são os únicos criminosos, os únicos seres indignos de existir.

Censura

Aqueles que ficam muito contentes com os protestos contra o governo nos últimos dias, boicotando as ultimas intervenções de alguns ministros, nomeadamente do ministro Miguel Relvas devem prestar muita atenção aos ensinamentos da história.

Foi assim que o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães procedeu até alcançar o poder em 1932.

Manifesto: ‘Instaurar a Democracia, Restaurar a Monarquia’

Vivemos dias dificeis. Todos o sabemos. Mas isso não serve nem chega. Se a  resignação é inútil,  a indignação sem objectivo não é um valor em si. É tempo de fazer. É tempo de escolher como fazer.

Fazer o diagnóstico das nossas fraquezas é fácil e não é mais do que reiterar o óbvio ululante. Dar uma esperança real é o mais dificil: perante o preocupante enfraquecer das estruturas democráticas; a visível delapidação dos valores morais na política; o estado caótico da nossa justiça e a sua aparente dependência das mais diversas forças de influência; e finalmente (e provavelmente o mais importante) uma ameaça de perda de soberania – os portugueses não têm razões para confiar no seu futuro.

Nós, cidadãos portugueses, com as mesmas preocupações com que todos vivemos, queremos dizer: há alternativa. Há soluções que contêm valores.  É isso que nos une. É isso que nos move. É isso que propomos.

Perante um regime em liberdade mas em que a verdadeira democracia está ausente, torna-se urgente uma chefia de Estado independente e supra-partidária. Isto só pode ser garantido, zelado e velado por um chefe de Estado eleito pela história. Alguém que, ao olhar para trás, perceba as pegadas históricas e que nos diga de onde viemos. Alguém que, ao olhar para a frente, veja uma continuidade e não uma ruptura episódica, ditada por interesses partidários presos apenas ao espírito do tempo. Alguém que una e não exclua. Um Chefe de Estado que esteja ao serviço da Nação e que não se sirva dela. Portugal precisa de uma Monarquia. Portugal precisa de um Rei.

Nós, democratas de sempre, apelamos a uma séria discussão em torno da nossa chefia de Estado. Apelamos a que exista uma mobilização da sociedade civil em torno do debate sobre o regime que, há uma centena de anos, foi imposto ao nosso povo pela lei das armas e precedido de um grave homicídio, que nunca foi julgado. Democratas de sempre, não aceitamos que uma chefia de Estado se legitime na espuma de dogmas passados e vontades impostas, em que ao povo português continue a ser negada a possibilidade de escolher um futuro possível e digno.   A razão democrática e a justiça histórica abona a favor dos nossos príncipios. Da nossa verdade.

Acreditamos que o Senhor D. Duarte de Bragança – único e legítimo pretendente ao trono português – poderá dignificar a chefia de Estado portuguesa. Pela história que representa e que nos une. Pela liberdade que garante a ausência total de facturas a qualquer eleitorado ou clientela.

Nós, mulheres e homens livres, empenhados cidadãos portugueses, das mais diversas tendências políticas e partidárias, com os mais diversos credos religiosos, decidimos dar mais este passo para que esta esperança se realize. Acreditar que temos uma agenda ideológica seria negar a independência que nos junta em torno de uma chefia de Estado. Que  nos une pela diversidade e não pela opinião política. A política é uma coisa, o Rei é outra. Esta é a questão.

Portugal só poderá ser universal se as instituições mantiverem a credibilidade histórica.

Nós, monárquicos, portugueses e  democratas de sempre não desistimos de Portugal.

Assinam:

Gonçalo Ribeiro TellesAbel Silva Mota (advogado)

Aline Gallasch-Hall (docente universitária)

Ana Firmo Ferreira (publicitária)

António Pinto Coelho (empresário)

Filipe Ribeiro de Meneses (historiador)

João Gomes de Almeida (publicitário)

Ivan Roque Duarte (jurista)

Luís Coimbra (engenheiro)

Maria João Quintans (paleógrafa)

Miguel Esteves Cardoso (escritor e cronista)

Nuno Miguel Guedes (jornalista)

Paulo Tavares Cadete (gestor)

Pedro Ayres Magalhães (músico)

Pedro Ferreira da Costa (publicitário)

Pedro Policarpo (economista)

Pedro Quartin Graça (professor universitário)

Ricardo Gomes da Silva (empresário)

Francisco Pereira (padre)

Juízes

Como é que alguém que tem a missão de administrar a Justiça pode ficar impune ao executar a mais descarada batota, como copiar num exame, e não ser imediatamente expulso, ou pelo menos chumbar, nesse curso.

É este o nível de exigência do pais a que nos habituaram seis anos de governo socrático.

Agora compreendo o teor de decisões fequentemente absurdas que saem das cabeças iluminadas dos nossos meritíssimos juízes.

Prevenção da SIDA

ROMA, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Um estudo realizado pela Universidade de Harvard deu razão à posição de Bento XVI sobre a SIDA, afirmando que um comportamento sexual responsável e a fidelidade ao próprio cônjuge foram fatores que determinaram uma drástica diminuição da SIDA no Zimbábue.

Daniel Halperin, do Departamento de Saúde Global da População da universidade norte-americana, desde 1998, estuda as dinâmicas sociais que causam a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis nos países em vias de desenvolvimento.

A tendência de dez anos é evidente: de 1997 a 2007, a taxa de infecção entre adultos diminuiu de 29% a 16%. Depois desta pesquisa, Halperin não hesita em afirmar: a repentina e clara diminuição da incidência de SIDA deve-se “à redução de comportamentos de risco, como sexo fora do casamento, casual e com prostitutas”.

O estudo, publicado em PloSMedicine.org, foi financiado pela Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional, da qual Halperin foi conselheiro, e pelo Fundo das Nações Unidas para a População e Desenvolvimento.

“Com este estudo, Halperin promove uma reflexão séria e honesta sobre as políticas até agora adotadas pelas principais agências de combate à AIDS nos países em desenvolvimento”, afirma o jornal L’Osservatore Romano, ao dar a notícia, em sua edição de 26 de fevereiro.

Segundo o estudo de Halperin, é necessário “ensinar a evitar a promiscuidade e promover a fidelidade”, apoiando iniciativas que visem a construir na sociedade afetada pela AIDS uma nova cultura.

Como disse Bento XVI, é necessário promover uma “humanização da sexualidade”.

Arrendamento

Numa conversa familiar ontem ao jantar percebi uma coisa.
Para a nossa cultura, de cariz local, aldeã e agrário a terra é a riqueza que conta para o status social das pessoas. Isso implica a necessidade de ter casa própria como elemento fundamental de posse e de identidade da família. Ainda hoje nas aldeias é vergonha uma família viver em casa de renda.
As multidões que nas últimas décadas foram viver para os grandes centros urbanos iam marcados por esta mentalidade, e a sua busca de ter casa própria acabou por criar um ciclo vicioso que valorizou exageradamente a construção civil e amargou as famílias a compromissos perpétuos.
Um noivem casal que inicia a sua vida e fica logo agarrado a uma hipoteca e a um local para 30 ou 40 anos não tem liberdade para pensar em filhos, para se poder ajustar às novas situações da vida.

Egito ou Egipto?

A estupidez do acordo ortográfico revelou-se claramente a propósito dos problemas ocorridos no Egipto.

Ouvi o José Rodrigues dos Santos dizer no telejornal da RTP1 que passariam a escrever EGITO para estar de acordo com o acordo ortográfico.

Agora eu pergunto: Então como é que chamamos os habitantes do Egito? Egícios? Egípcios? Aqui se demonstra que os autores do acordo ortográfico não percebem nada de linguística.

Tem algum sentido limitar-se a escrever como se fala (as letras mudas não são precisas por isso resolvemos tirá-las da ortografia portuguesa). Então porque não eliminanos o ch e passamos a escrever com X? Xiado, xaves, xamar. Ou tem algun sentido escrever um X e ler um Z? Passemos a escrever ezercício, ezatamente.

Ao mesmo tempo assim será mais fácil aos meninos da escola terem notas altas a português.

Vergonha

A última vergonha na queda da Europa no Abismo:

A agenda jovem europeia não assinala as festas cristãs do Natal e da Páscoa. O ridículo e a veronha ainda é maior porque na mesma agenda vêm assinaladas festas hindus, sicks, muculmanas e judaicas.

O pseudo multiculturalismo da esquerda europeia deixou cair o véu: mais uma vez é o anti-catolicismo das elites europeias que procura destruir a sua cultura para criar uma nova sociedade, mais livre e justa, mas que cada vez se assemelha mais à sociedade desumanizada de “1984” de George Orwell ou do “Admirável mundo Novo” de Aldous Huxley.

Encontrei em O Povo a tradução da carta que Christine Boutin, anteriora Ministra do Urbanismo do Governo Francês, escreveu a Durão Barroso, presidente da comissão europeia:

Paris, 23 de Dezembro de 2010

À Atenção do

Exmo. Sr. José Manuel Barroso

Presidente da Comissão Europeia

Senhor Presidente,

Como sabe, a Comissão Europeia mandou fazer mais de 3 milhões de exemplares de uma agenda com as cores da União Europeia, para as escolas secundárias. Esta agenda tem, entre outras coisas, as festas judias, hindus, sikhs e muçulmanas, mas não assinala uma única festa cristã. Até mesmo a folha do dia 25 de Dezembro está vazia…

Como é possível uma tal discriminação?

A minha inquietação, incompreensão e mesmo indignação são enormes.

Será que a Comissão Europeia pode pretender que foi um esquecimento? Mas como é possível omitir involuntariamente a festa do Natal, celebrada por toda a Europa por milhares de pessoas mesmo não cristãs?

Verdadeiramente não posso aceitá-lo.

Em nome da verdade, em nome do que foi e do que é, não posso aceitá-lo. O papel da religião cristã na formação da Europa é um facto histórico inegável, e é aberrante que uma agenda mandada fazer pela Comissão europeia não o mencione de todo. Como é possível afirmar que esta agenda constitui uma “mina de informações sobre a União Europeia”, retirando-lhe qualquer referência ao cristianismo? Como é que se pretende instruir os jovens acerca da União Europeia negando a existência de uma religião que contribuiu de uma maneira fundamental para a sua construção e unidade?

Não posso também aceitá-lo em nome de uma grande parte da população europeia cuja religião é o cristianismo. Recuso-me a aceitar que seja assim negado e esquecido aquilo que tem uma tão grande importância na vida de todas essas pessoas, esse legado de valores e convicções que elas têm em comum.

Finalmente, não posso aceitar, em nome dos milhões de cristãos perseguidos e mortos pelo mundo fora, por causa da sua fé. Como é que a Europa pode dar provas de uma total ignorância sobre uma religião em nome da qual essas pessoas sofrem e morrem, haja em vista as festas que apenas podem celebrar com risco da sua própria vida?

Esperando o seu apoio em favor de uma Europa que promova o diálogo entre as religiões e que valorize a importância e a contribuição de cada uma delas para a construção duma sociedade de paz, de prosperidade e de tolerância,

Receba Senhor Presidente os meus sinceros e respeitosos cumprimentos

Christine Boutin

Ex- Ministra

C.C. para John Dalli, Herman Von Rompuy, Jerzy Buzek e Wilfrid Martens.

Neste link podem encontrar uma petição de protesto contra esta iniciativa da União Europeia.

Pedofilia e Verdade

Aquilo que já suspeitava acabou no fim do ano por ser revelado por Donald H. Steier, um delegado do ministério público de Los Angeles, Californai, EUA.

Diz ele depois das investigações efectuadas que cerca de metade das acusações de pedofilia feitas a padres são uma mentira e uma fraude para extorquir dinheiro.

http://www.themediareport.com/jan2011/special-steier-declaration.htm

Liberdade de ensino

Lisboa, 04 Jan (Ecclesia) – A Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) prepara-se para processar o Estado, alegando “má-fé e falta de respeito” em relação aos contratos assinados com os estabelecimentos privados para este ano lectivo.

“Se os efeitos financeiros forem aqueles que estão previstos, seguramente que há colégios que não irão chegar ao final do ano lectivo” realça o padre Querubim Silva, presidente da APEC, em declarações ao Programa ECCLESIA.

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=83594

Liberdade de ensino

Lisboa, 04 Jan (Ecclesia) – A Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) prepara-se para processar o Estado, alegando “má-fé e falta de respeito” em relação aos contratos assinados com os estabelecimentos privados para este ano lectivo.

“Se os efeitos financeiros forem aqueles que estão previstos, seguramente que há colégios que não irão chegar ao final do ano lectivo” realça o padre Querubim Silva, presidente da APEC, em declarações ao Programa ECCLESIA.

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=83594

Comunicação na Igreja Católica

Como é que uma religião assente na Escritura hoje não consegue usar os meios publicados para comunicar a Mensagem de Jesus Cristo?

Porque é que nós, católicos, temos tantas dificuldades em tornar visível aquilo em que acreditamos. A Bíblia sempre foi, ao longo da história, o livro com mais reproduções. Os conventos foram durante o primeiro milénio os grandes repositórios da cultura clássica.

Parece-me que nos falta estratégia comunicacional. Explicamo-nos mal, tarde e a más horas. Lamentamo-nos que a imprensa não sabe falar sobre nós mas quando ela nos pede que falemos, recusamo-nos com medo de sermos mal interpretados.

Queremos ter os meios mas não investimos o necessário para os ter. Temos medo de entrar num mundo que não conhecemos, não arriscamos, jogamos sempre pelo seguro.

É mais fácil dizer que os outros não vêm ter connosco, que não vão à missa, que não rezam. Os 12 estavam bem arranjados se estivessem à espera que os judeus fossem ter com eles ao cenáculo, para eles poderem anunciar Jesus morto e ressuscitado. Ainda hoje lá continuariam.

É necessário ir ter com as pessoas onde elas estão, espicaçá-las no seu mundo, fazer-lhes ver que há outros caminhos. S. Paulo não teve vergonha de ir ao Areópago falar de Jesus Cristo. Correu mal, paciência. Sempre houve um ou outro que o escutou e se converteu. Foi expulso de quase todas as sinagogas, muitas vezes à porrada. Mas nem por isso deixava de passar por lá.

É certo que todas as dioceses têm o seu jornal diocesano, que a Agência Ecclesia faz um trabalho extraordinário em divulgar o que se passa na Igreja, que há bastantes blogues de leigos e até de padres espalhados pela internet. Mas tudo isto é diálogo intra-eclesial: falamos só aos nossos, aos que já estão dentro.

A própria Rádio Renascença, Emissora Católica Portuguesa, um império da comunicação social, limita-se a dar às pessoas aquilo que elas querem.

Durante o último século fomos condicionados a fecharmo-nos ao mundo. Disseram-nos que o mundo é mau e perigoso, que há monstros lá fora, que dentro de casa é que se está bem, que só ao colo da mãe é que estamos seguros.

Dizem-nos que somos poucos e dizemos sim senhor. Dizem-nos que não sabemos nada do mundo e dizemos sim senhor. Dizem-nos que não nos devemos meter em assuntos adultos e dizemos sim senhor. Dizem-nos que não devemos interferir em coisas mundanas como a política, a economia, a cultura, os assuntos das pessoas e dizemos sim senhor.

Hoje é mais um dia triste para o meu país: o Presidente da República promulgou uma lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Depois de ter permitido o aborto a pedido. Os divórcios a pedido. E até os bispos nos dizem que não nos devemos meter nesses assuntos. Como se já fossemos habitantes do céu, anjos a olhar o que se passa lá em baixo. A nossa cidade é a Cidade dos Homens. Somos cidadãos de plenos direito e não nos podemos calar quando a nossa sociedade, o mundo em que vivemos se aniquila.

Quer queiramos quer não a Igreja faz política, porque os cristãos fazem política. Nós cristãos somos a Igreja e estamos integrados numa sociedade: pagamos impostos, temos os nossos filhos na escola do estado, estamos integrados no Serviço Nacional de Saúde. Somo militares, polícias, juízes, deputados, empresários. Não podemos dizer que este não é o nosso mundo. E por isso não nos podemos calar quando procuram construir uma sociedade que nos destroi.

Precisamos de uma grande jornal nacional, diário ou semanário, que possa ser um olhar cristão do que se passa à nossa volta, que possa ser a voz da consciência do nosso país. ão devemos ter medo de ser um loby, um grupo de pressão. Se um grupo empresarial funda um jornal para pressionar as autoridades a beneficiar os seus interesses, porque não devemos ter um jornal para defender os nossos interesses: a Mensagem de Jesus Cristo e a salvação das pessoas?

Defensores dos animais

Há uma associação na zona de Ourém que quer construir um canil para animais abandonados. Como não têm dinheiro e a Câmara Municial não o faz toca de exigir ao Santuário de Fátima que lhes dê o dinheiro para isso.

Então inventam uma calúnia para chantagear os responsáveis do santuário. Começaram a mandar uma cadeia de e-mails fantasiosos dizendo que os animais vadios que aparecem no recinto do Santuário são apanhados, torturados e mortos, chegando inclusive a fazer uma denúncia às autoridades.

As autoridades investigaram e não viram razões que sustentassem a queixa, que por isso foi arquivada.

Já por duas vezes o Santuário se pronunciou sobre o assunto.

Pode-se ver a seriedade desta associação quando uma das fotos alegadamente tirada no Santuário surge num blog espanhol e tirada na china.

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Saramago

A arte não é consensual. O prémio Nóbel não é garantia absoluta de génio literário.

Gostei de alguns livros do José Saramago. Até fiz um trabalho sobre ele num seminário do Curso de Teologia.

Dava-me pena o seu ar sempre zangado como tudo e com todos, a começar pela sua zanga com Deus, em quem dizia não acreditar. Para alguém que afirmava ser ateu, era estranho vê-lo obcecado com a figura e a pessoa de Deus, e a falar dele abundantemente em todos os seus livros.

Sem contar com as tropelias que a sua visão política do mundo o levaram a fazer.

A sua morte não pode servir para apagar a sua vida e santificar o seu comportamento.

Casamento entre pessoas do mesmo sexo

Fiquei muito triste com o Presidente da República. A desculpa não serve. De cedência em cedência destruímos a civilização.

Nota de Abertura da RR

Se o Presidente da República considera irrelevante o poder de veto que a Constituição lhe confere, mais valia dele prescindir, porque o risco de uma maioria confirmar uma lei que o Presidente vetou existe sempre. Cabe perguntar: a partir de agora não teremos vetos presidenciais ou o Presidente Cavaco Silva só vetará um diploma, quando tiver a certeza de não ser contrariado?

Quanto à situação económica, o Presidente sugere que um veto sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo seria pretexto para não combater a crise; e chega a invocar a ética da responsabilidade política para justificar a sua decisão.

Mas dos argumentos presidenciais, resulta exactamente o contrário: a crise é que surge como um triste pretexto para não vetar o casamento de pessoas do mesmo sexo. Alguém acredita que agora, com esta promulgação, a crise será melhor combatida? E o que fará o Presidente se a crise piorar, apesar da promulgação desta lei? Até onde irá, nessa circunstância, a sua ética da responsabilidade?

Como toda a gente sabe, e o Presidente melhor que ninguém, a crise é antiga, estrutural; e se não foi melhor combatida a outros motivos se deve; muitos, aliás, o têm dito: antes de ser económica, é uma profundíssima crise de valores e de convicções que chega às elites e fragiliza as lideranças.

Sem mudar estilos de vida e de liderança, Portugal não sairá da situação em que se encontra neste momento.

O mero calculismo político nunca resolve crises; pelo contrário, só as agrava.

O New York Times errou

Aqui está a prova de que o célebre artigo do New York Times errou ao acusar o Papa Bento XVI:

“As I have found that the reporting on this issue has been inaccurate and poor in terms of the facts, I am also writing out of a sense of duty to the truth.”

Claro que nenhum jornal em Portugal vai citar (copiar) este artigo como fizeram ao New York Times.

O nosso problema

O problema da situação social e económica com o qual nos deparamos presentemente em Portugal é o mesmo que os judeus tinham quando saíram do Egipto:

Preferimos as cebolas da escravidão, uma malga apenas meia cheia, sem esforço, a uma terra de onde mana leite e mel que tem de ser conquiatada com sacrifícios, lutas, tempo e trabalho.