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Você na TV

Mais uma triste participação dos representantes da Igreja Católica num programa de TV, agora sobre a diminuição da prática religiosa.

Como é que o porta-voz da Conferência Episcopal tem tão pouco jeito para a comunicação eficaz da doutrina da Igreja?

Limitou-se a enrolar, a querer agradar a gregos e troianos e prestou um mau serviço à Igreja.

Bastava dizer: somos livres de pertencer à igreja, mas quem quer ser cristão tem se seguir Cristo na radicalidade do seu chamamento, tem que lhe dizer sim sem contemporizações. É preciso assumir a responsabilidade de ser cristão. Como é que alguém pode ser educador da fé cristã sem viver essa mesma fé?

Rádio Católica

Todos sabemos o peso que a Rádio Renascença tem na paisagem audiovisual portuguesa. É a rádio com mais audiência, que conta com 4 canais diferentes, cada uma com um público alvo bem definido e que se orgulha de apresentar o título de emisora católica portuguesa.

Ora aqui está o meu problema com a Rádio Renascença. Por aquilo que ouço na dita rádio não é uma rádio católica. Pode ser uma rádio de inspiração cristã, mas não é rádio católica, ou seja ao serviço da evangelização e testemunha de Jesus.

Um amigo perguntou-me se queria que a Renascença se transformasse numa Rádio Maria, a transmitir constantemente missas e terços, com audiências residuais e a dar prejuízos constantes. Não quero.

Por outro lado não são os 5 minutos da oração da manhã, o angelus ao meio-dia, o terço às 18:30, a pequena meditação antes da meia-noite e a missa aos domingos que completam a sua condição católica.

É triste para um católico ouvir da boca do director de programas da Renascença dizer que o primeiro objectivo é ter audiências e no meio da programação introduzir algo de católico, mas sempre de maneira que não afaste ou ouvintes.

E depois olhamos para a página online da Rádio Renascença e não vemos uma única referência a Jesus Cristo ou ao catolicismo ou à Igreja.

Faltam programas onde se debatam os temas da vida social numa perspectiva cristã, onde se entrevistem pessoas ligadas à Igreja que possam dar testemunho da sua fé, onde se possa fazer anúncio e apresentação de livros sobre a fé cristã, onde a cultura popular possa ser abordade de uma perspectiva dos valores sem ser apenas o estilo de promoção que se faz noutras rádios.

Que não se limitem a passar as playlists impostas pelas editoras de música, mas que se divulgue a música evangélica e evangelizadora.

Isto traz diminuição de receitas. É natural, mas se o Grupo RR tem quatro rádios: Rádio Renascença, RFM, Mega FM e Rádio Sim, podem manter os três últimos canais como estão e tornar a Rádio Renascença numa verdadeira Emisora Católica Portuguesa, que se distinga das outras rádios.

Eu não vejo diferença substancial neste aspecto entre a Rádio renascença e a Antena 1.

Comunicação na Igreja Católica

Como é que uma religião assente na Escritura hoje não consegue usar os meios publicados para comunicar a Mensagem de Jesus Cristo?

Porque é que nós, católicos, temos tantas dificuldades em tornar visível aquilo em que acreditamos. A Bíblia sempre foi, ao longo da história, o livro com mais reproduções. Os conventos foram durante o primeiro milénio os grandes repositórios da cultura clássica.

Parece-me que nos falta estratégia comunicacional. Explicamo-nos mal, tarde e a más horas. Lamentamo-nos que a imprensa não sabe falar sobre nós mas quando ela nos pede que falemos, recusamo-nos com medo de sermos mal interpretados.

Queremos ter os meios mas não investimos o necessário para os ter. Temos medo de entrar num mundo que não conhecemos, não arriscamos, jogamos sempre pelo seguro.

É mais fácil dizer que os outros não vêm ter connosco, que não vão à missa, que não rezam. Os 12 estavam bem arranjados se estivessem à espera que os judeus fossem ter com eles ao cenáculo, para eles poderem anunciar Jesus morto e ressuscitado. Ainda hoje lá continuariam.

É necessário ir ter com as pessoas onde elas estão, espicaçá-las no seu mundo, fazer-lhes ver que há outros caminhos. S. Paulo não teve vergonha de ir ao Areópago falar de Jesus Cristo. Correu mal, paciência. Sempre houve um ou outro que o escutou e se converteu. Foi expulso de quase todas as sinagogas, muitas vezes à porrada. Mas nem por isso deixava de passar por lá.

É certo que todas as dioceses têm o seu jornal diocesano, que a Agência Ecclesia faz um trabalho extraordinário em divulgar o que se passa na Igreja, que há bastantes blogues de leigos e até de padres espalhados pela internet. Mas tudo isto é diálogo intra-eclesial: falamos só aos nossos, aos que já estão dentro.

A própria Rádio Renascença, Emissora Católica Portuguesa, um império da comunicação social, limita-se a dar às pessoas aquilo que elas querem.

Durante o último século fomos condicionados a fecharmo-nos ao mundo. Disseram-nos que o mundo é mau e perigoso, que há monstros lá fora, que dentro de casa é que se está bem, que só ao colo da mãe é que estamos seguros.

Dizem-nos que somos poucos e dizemos sim senhor. Dizem-nos que não sabemos nada do mundo e dizemos sim senhor. Dizem-nos que não nos devemos meter em assuntos adultos e dizemos sim senhor. Dizem-nos que não devemos interferir em coisas mundanas como a política, a economia, a cultura, os assuntos das pessoas e dizemos sim senhor.

Hoje é mais um dia triste para o meu país: o Presidente da República promulgou uma lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Depois de ter permitido o aborto a pedido. Os divórcios a pedido. E até os bispos nos dizem que não nos devemos meter nesses assuntos. Como se já fossemos habitantes do céu, anjos a olhar o que se passa lá em baixo. A nossa cidade é a Cidade dos Homens. Somos cidadãos de plenos direito e não nos podemos calar quando a nossa sociedade, o mundo em que vivemos se aniquila.

Quer queiramos quer não a Igreja faz política, porque os cristãos fazem política. Nós cristãos somos a Igreja e estamos integrados numa sociedade: pagamos impostos, temos os nossos filhos na escola do estado, estamos integrados no Serviço Nacional de Saúde. Somo militares, polícias, juízes, deputados, empresários. Não podemos dizer que este não é o nosso mundo. E por isso não nos podemos calar quando procuram construir uma sociedade que nos destroi.

Precisamos de uma grande jornal nacional, diário ou semanário, que possa ser um olhar cristão do que se passa à nossa volta, que possa ser a voz da consciência do nosso país. ão devemos ter medo de ser um loby, um grupo de pressão. Se um grupo empresarial funda um jornal para pressionar as autoridades a beneficiar os seus interesses, porque não devemos ter um jornal para defender os nossos interesses: a Mensagem de Jesus Cristo e a salvação das pessoas?

Deuteronómio

O curso de doutoramento começou bem. Somos 17.

Já tenho montes de bibliografia de referência, autores novos para ler, e um trabalho para fazer sobre “Comunicação da mensagem no Deuteronómio.”

A ler: Timothy Lenchak, “Choose LIfe” A rhetorical-Critical Investigation os Deuteronomy 28,69—30,20, Roma 1983 e M. Vervenne e Jlust (ed) , Deuteronomy and deuteronomic literature – Festschrift C.H.W. Brekelmans, Lovaina 1997.

Teologia e comunicação

Fiz hoje a matrícula para o Curso de Doutoramento em teologia sistemática na Universidade Católica.
Teologia e comunicação.
Vai ser um desafio interessante tornar a pegar nos livros de uma forma sistemática e aprofundar alguns temas.
Como comunicar o Evangelho hoje?

43º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Na sua mensagem para o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais o Papa Bento XVI dirige-se à chamada geração digital começando por dizer que o potencial das novas tecnologias é um verdadeiro dom para a humanidade.

A facilidade de acesso ao telemóvel e computador favorece a ligação, comunicação e compreensão entre indivíduos e comunidades: famílias que se mantêm em contacto apresar de separadas, estudantes e investigadores que têm acesso às fontes e podem trabalhar em equipa estando em lugares diversos, formas dinâmicas de aprendizagem, amizades criadas e alimentadas que ciam comunidades e redes.

O desejo de comunicação e amizade está radicado na própria natureza de seres humanos, que assim respondem à vocação de Deus, do Deus da comunicação e da comunhão.

Fundamental é a qualidade dos conteúdos que as novas tecnologias põem em circulação. O Santo padre exorta os que operam na produção e difusão de conteúdos dos novos media a sentirem-se obrigados ao respeito da dignidade e do valor da pessoa humana: as novas tecnologias devem servir o bem dos indivíduos, evitando a partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano. Tudo aquilo que alimenta o ódio e a intolerância, que torna vil a beleza e a intimidade da sexualidade humana e explora os débeis e vulneráveis deve ser excluído.

O ciberespaço permite conhecer os valores e tradições alheias, contrapondo uma forma honesta e correcta de cada um se exprimir juntamente com uma escuta atenta e respeitadora: o diálogo é a busca sincera e recíproca da verdade para realizar a promoção do desenvolvimento na compreensão e na tolerância.

Falando das relações e amizades on-line o Papa diz que não podem existir à custa da disponibilidade para a família, para os vizinhos e para aqueles que encontramos no dia-a-dia: no trabalho, escola e tempos livres.

Bento XVI defende louva o aparecimento de redes digitais que promovem a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação.

Termina a mensagem exortando os jovens católicos a levarem o seu testemunho de fé para o mundo digital, recordando o exemplo dos Apóstolos que levaram a mensagem do Evangelho ao mundo greco-romano.

Vaticano

O Vaticano tem um canal no youtube.

Aí se podem encontrar vídeos das actividades mais importantes do Papa e dos grande acontecimentos da Igreja.

http://www.youtube.com/vaticanit

O lançamento deste canal foi feito por ocasião da divulgação da Mensagem do Papa para o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais com o título «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade». Podem encontrar o texto em português na Agência Ecclesia.

Adenda às 20:22 – no vídeo de entrada do canal do Vaticano podem ver (aos 27 secs.) imagens da primeira visita de João Paulo II a Fátima.