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Comunidade

Ontem fui celebrar missa a duas paróquias. Foi bom celebrar numa comunidade diferente do Santuário de Fátima. Aqui temos muita gente a participar na missa, mas não podemos dizer que ha comunidade: vem muita gente de muito lado mas como são peregrinos, estão de passagem e não se consegue criar empatia entre todas as pessoas que participam na missa.
Nas paróquia é diferente, há uma maior estabilidade, as pessoas já se conhecem, uma mais empatia entre as pessoas, mais relação, mesmo que às vezes essa relação possa ser mais azeda.
A homilia acaba por ser marcada por essa empatia, por essa consciência de comunidade. Acabei por fazer uma homilia diferente das que tenho feito, até porque havia uma maior presença das crianças da catequese e acabei por falar mais para elas. Depois na missa da tarde aqui no Santuário tive mais dificuldade em adaptar o meu esquema de homilia às pessoas que estavam na missa.


Direitos dos Animais

Vai por aí uma polémica entre o Paulo Rangel e os defensores dos direitos dos animais a propósito de uma entrevista que ele deu ao semanário SOL.

Só queria dar uma achega. Quando as eleites pensantes falam em direitos esquecem-se que ligados aos direitos também extão os deveres, e que uns não podem existir sem os outros.

Ora se os animais podem ser sujeitos de direitos, logicamente também podem ser sujeitos de deveres.

Como disse Paulo Rangel: há uma dimensão ontológica entre homens e animais, que os distingue e separa. Sendo todos criaturas de Deus, criados por um desígnio de amor, nós somos os únicos criados à Sua imagem e semelhança.

Ouvi por aí trazer o exemplo de S. Francisco de Assis. É certo que ele chamava irmãos aos animais, mas também chamava irmão e irmã ao vento e à chuva, à lua e ao sol e até à própria morte.Para quem não sabe esse texto chama-se “Cântico das criaturas” tem uma dimensão poética de louvor a Deus pela criação e foi escrito por ele em 1224, quase no fim da sua vida. E que eu saiba, nunca concedeu o hábito de franciscano a qualquer animal.

Ética

Alguém me dizia que era fundamental proclamarmos mais claramente os valore éticos. Que mais do que de religião falemos de Ética.Andei uns dias a pensar nisso.

Todos sentimos que a sociedade se está a desestruturar: fim do casamento, todos os ínfimos aspectos da vida regulados por leis, aumento da criminalidade.

Sendo a moral uma fonte de comportamento que nasce do interior da pessoa, uma espécie de carácter pessoal, e a ética o sistema comunitário de aplicação dessa norma comportamental. O que acontece quando não há fontes para que as pessoas possam desde o nascimento formar uma atitude moral de vida é que seja a comunidade a criar mecanismos de comportamento.

Podiamos quase pensar em termonos de noviíngua, conceito usado na novela 1984: Moral, que nasce de dentro é visto como critérios de valoração impostos pela sociedade. Ética, critérios criados por uma comunidade para si, nasce como a verdadeira fonte interior e pessoal de uma vida recta e justa.

Na verdade, não havendo fonte de moral, o respeito de uns pelos outros tem de ser construido a partir de fora, se não vive-se na Lei da Selva. Está mais que conprovado que a teoria de Rosseau do Bom Selvagem não tem sentido.

Este é um primeiro esboço, irei neste blog aprofundar este tema. Aproveitem para colocar os vossos comentários.