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Charlie Hebdo

Como se custuma dizer, a minha alma ficou parva quando vi hoje a capa que o “famoso” jornal satírico francês Charlie Hebdo escolheu para celebrar o aniversário do ataque de fundamentalistas islâmico à sua redacção.

Usando uma iconografia cristã (um velhote de barbas tendo na cabeça um triângulo e um olho, com uma metralhadora e as mãos ensanguentadas) com a legenda  “1 an après l’assassin court toujours” querendo justificar a necessidade do secularismo acabam por chamar assassinos aos que seguem a fé católica, porque não têm coragem de criticar o islamismo, com medo de mais atentados. E como nós cristãos não reagimos com armas à troça que fazem de nós é assim que nos retratam.

Isto já não é apenas duplicidade de critérios, é reflexo da esquizofrenia de uma Europa iluminada que rejeita os seus alicerces e que por isso não é capaz de construir nada a não ser castelos no ar.

50 sombras de Grey

Como é que uma livro, e agora um filme, que rebaixa absolutamente a mulher tem sucesso precisamente entre o público feminino?
Não li o livro mas os excertos e críticas que li são suficientes para perceber que aquilo que E. L. James escreveu como fan-fic a partir da série Twilight e se transformou num sucesso editorial em 2012 é absolutamente degradante, não apenas pela qualidade da escrita, mas sobretudo pela desvalorização e degradação da mulher.
Os fans dizem que Anastasia (a personagem feminina) é uma verdadeira heroína que consegue “salvar” Christian com o seu amor. Mas isso é uma parvoíce.
A associação Americana das Famílias (AFA) fez um comunicado em que afirma que o livro e filme glorifica a violência sexual, assédio e perseguição social, intimidação e isolamento.
Este artigo explica que nada na relação entre os dois é saudável. Um blog intitulado 50 sombras de abuso esclarece os abusos sofridos por Anastasia.
Aqui, aqui e aqui estão várias indicações de lista dos sinais de abuso presente nas 50 sombras de Grey, da parte de Christopher Grey: ciúme, constante perseguição e verificação da localização do outro, controlo, isolamento, enfeitiçamento, rápido envolvimento, expectativas exageradas, transferência da culpa, hipersensibilidade, uso de força na relação sexual, papéis sexuais rígidos, mudanças de humor bruscas, história de abuso, ameaça de violência, violência verbal. Da parte de Anastasia: sente-se confusa sobre a relação é o seu comportamento;
constantemente tentando recompor Chistian; choro incontrolável, sentindo-se sempre emocional; escondendo o que se passa dos amigos, com medo que eles censurem a sua passividade; excepcionalmente prudente em dizer algo a Christian com medo da reação dele; sentindo-se inadequada, pensando que não é capaz de satisfazê-lo, ignorando-nos seus próprios sentimentos e necessidades; sente-se insegura, começando a ficar com ciúmes de relações anteriores; tornando-se distante e uma sombra de si própria, chegando ao ponto da família lhe começar a perguntar o sue se passa, e ela fica calada com medo da reação de Chistian.
O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Esatados Unidos, apresente esta lista. O Jornal of Women’s Health publicou em 2014 um estudo sobre esta livro com o título “Double crap! Abuse and Harmed Identity in Fifty Shades of Grey” (Caraças! Abuso e identidade ferida 50 sombras de Grey
Para terminar uma página do facebook denunciando o abuso e degradação sexual de 50 sombras de grey.

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Precisamos de artistas

Quer queiramos quer não, a Europa assenta no alicerce da Cristandade. Sobretudo a nível artístico, as grandes referências europeias nascem da arte sacra: pintura e escultura, arquitectura, música, etc.

Com a revolução industrial houve uma mudança de paradigma alimentado pelo iluminismo e existencialismo com uma arte mais virada para o narcisismo pessoal do próprio autor, que assumiu expressões abstractas, expressionistas ou impressionistas, ao passo que a arte sacra é simbólica e representativa.

A diminuição do poder económico da Igreja, manifestado em Portugal, pela nacionalização dos bens da Igreja quer no tempo do Marquês de Pombal, quer nos primeiros anos da república, também impediram a continuação do mecenato por parte da Igreja.

A cultra portuguesa moderna e contemporânea é eminentemente anti-clerical, para não dizer anti-católica. Comparemos a forma como os autores portugueses e os franceses, ingleses ou americanos, do séc XIX e XX falam dos padres nas suas obras ou tratam temas religiosos: Chesterton inventa um padre detective, Tolkien e C.S. Lewis invetam novos mundos plasmados da história de Jesus e do Evangelho, Bernanos escreve o “Diário de um padre de Aldeia”.

Mas não é de literatura que eu hoje quero falar. É da pintura e escultura, e também do design.

Há necessidade de espalhar a Mensagem de Fátima como veículo de conversão das pessoas a Jesus. Como o Evangelho essa mensagem é intemporal e dirigida a todas as pessoas, mas a cultura e modo de encarar a vida é diferente hoje do que era em 1917. Hoje, sobretudo os jovens, vivem numa sociedade em rede, do facebook e do twitter, que privilegia o contacto pessoal. Para além disso a imagem tornou-se a principal referência da cultura geral, com uma forte acentuação em imagens icónicas e frases curtas (os 140 caracteres dos SMS e do Twitter).

As estruturas eclesiais e os pastores da Igreja estão longe desta cultura e influência. Quando nós, que somos padres ou temos responsabilidades pastorais olhamos para este desafio de anunciar a Palavra de Deus às novas gerações não sabemos como o fazer, mas também não conhecemos as pessoas que estão preparadas para o fazerem.

Podemos querer fazer uma banda desenhada sobre a vida dos Pastorinhos, mas não conhecemos autores e ilustradores que o possam fazer. Podemos querer fazer documentários para a televisão, sobre a história das aparições ou a Mensagem de Fátima, mas não conhecemos produtores e realizadores. Podemos querer fazer folhetos, sites, materiais de divulgação, mas não conhecemos designers que nos ajudem.

Nestes sete anos que nos separam do centenário podemos fazer muita coisa, mas temos dificuldade em encontrar as pessoas.

Convido os meus leitores a trazerem ideias, a fazerem propostas, a apresentarem os seus port-folios para podermos trabalhar em conjunto no desenvolvimento da cultura portuguesa, sobretudo através das artes.

Recordo os sites do santuário de Fátima http://www.fatima.pt e do centenário das Aparições http://www.fatima2017.org.

Na minha área do serviço pastoral, nomeadamento no que diz respeito ao Movimento da Mensagem de Fátima estamos a trabalhar num projecto da nossa presença autónoma na internet.

O desafio mais premente que tenho é criar material sobre a mensagem de fátima destinado especialmente aos jovens, para aproveitarmos este primeiro ano do centenário e a realização da Jornada Mundial da Juventude em Madrid em Agosto deste ano. Já sabemos que alguns milhares dos jovens que vão participar nesta jornada vão também passar pelo santuário de Fátima e queríamos ter algo preparado especialmente para eles.

Vergonha

A última vergonha na queda da Europa no Abismo:

A agenda jovem europeia não assinala as festas cristãs do Natal e da Páscoa. O ridículo e a veronha ainda é maior porque na mesma agenda vêm assinaladas festas hindus, sicks, muculmanas e judaicas.

O pseudo multiculturalismo da esquerda europeia deixou cair o véu: mais uma vez é o anti-catolicismo das elites europeias que procura destruir a sua cultura para criar uma nova sociedade, mais livre e justa, mas que cada vez se assemelha mais à sociedade desumanizada de “1984” de George Orwell ou do “Admirável mundo Novo” de Aldous Huxley.

Encontrei em O Povo a tradução da carta que Christine Boutin, anteriora Ministra do Urbanismo do Governo Francês, escreveu a Durão Barroso, presidente da comissão europeia:

Paris, 23 de Dezembro de 2010

À Atenção do

Exmo. Sr. José Manuel Barroso

Presidente da Comissão Europeia

Senhor Presidente,

Como sabe, a Comissão Europeia mandou fazer mais de 3 milhões de exemplares de uma agenda com as cores da União Europeia, para as escolas secundárias. Esta agenda tem, entre outras coisas, as festas judias, hindus, sikhs e muçulmanas, mas não assinala uma única festa cristã. Até mesmo a folha do dia 25 de Dezembro está vazia…

Como é possível uma tal discriminação?

A minha inquietação, incompreensão e mesmo indignação são enormes.

Será que a Comissão Europeia pode pretender que foi um esquecimento? Mas como é possível omitir involuntariamente a festa do Natal, celebrada por toda a Europa por milhares de pessoas mesmo não cristãs?

Verdadeiramente não posso aceitá-lo.

Em nome da verdade, em nome do que foi e do que é, não posso aceitá-lo. O papel da religião cristã na formação da Europa é um facto histórico inegável, e é aberrante que uma agenda mandada fazer pela Comissão europeia não o mencione de todo. Como é possível afirmar que esta agenda constitui uma “mina de informações sobre a União Europeia”, retirando-lhe qualquer referência ao cristianismo? Como é que se pretende instruir os jovens acerca da União Europeia negando a existência de uma religião que contribuiu de uma maneira fundamental para a sua construção e unidade?

Não posso também aceitá-lo em nome de uma grande parte da população europeia cuja religião é o cristianismo. Recuso-me a aceitar que seja assim negado e esquecido aquilo que tem uma tão grande importância na vida de todas essas pessoas, esse legado de valores e convicções que elas têm em comum.

Finalmente, não posso aceitar, em nome dos milhões de cristãos perseguidos e mortos pelo mundo fora, por causa da sua fé. Como é que a Europa pode dar provas de uma total ignorância sobre uma religião em nome da qual essas pessoas sofrem e morrem, haja em vista as festas que apenas podem celebrar com risco da sua própria vida?

Esperando o seu apoio em favor de uma Europa que promova o diálogo entre as religiões e que valorize a importância e a contribuição de cada uma delas para a construção duma sociedade de paz, de prosperidade e de tolerância,

Receba Senhor Presidente os meus sinceros e respeitosos cumprimentos

Christine Boutin

Ex- Ministra

C.C. para John Dalli, Herman Von Rompuy, Jerzy Buzek e Wilfrid Martens.

Neste link podem encontrar uma petição de protesto contra esta iniciativa da União Europeia.

Vida de Cristo

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Acabei de ler um livro muito interessante sobre a vida de Cristo.

Da autoria de Christopher Moore, chama-se Cordeiro, o evangelho segundo Biff, o amigo de infância de Jesus Cristo.

Dando algumas voltas estranhas e desenvolvendo muitíssimo os anos da vida escondida de Jesus Cristo consegue extremamente fiel ao conteúdos dos Evangelhos.

No fim da nota final o autor escreve “O propósito desta história não é nem nunca foi desafiar a fé de ninguém; contudo, se as histórias de uma novela humorística abalarem a fé de alguém, talvez o melhor seja rezar um pouco mais.

A edição portuguesa é da Gailivro (Leya) em 2009.

Casamento entre pessoas do mesmo sexo

Fiquei muito triste com o Presidente da República. A desculpa não serve. De cedência em cedência destruímos a civilização.

Nota de Abertura da RR

Se o Presidente da República considera irrelevante o poder de veto que a Constituição lhe confere, mais valia dele prescindir, porque o risco de uma maioria confirmar uma lei que o Presidente vetou existe sempre. Cabe perguntar: a partir de agora não teremos vetos presidenciais ou o Presidente Cavaco Silva só vetará um diploma, quando tiver a certeza de não ser contrariado?

Quanto à situação económica, o Presidente sugere que um veto sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo seria pretexto para não combater a crise; e chega a invocar a ética da responsabilidade política para justificar a sua decisão.

Mas dos argumentos presidenciais, resulta exactamente o contrário: a crise é que surge como um triste pretexto para não vetar o casamento de pessoas do mesmo sexo. Alguém acredita que agora, com esta promulgação, a crise será melhor combatida? E o que fará o Presidente se a crise piorar, apesar da promulgação desta lei? Até onde irá, nessa circunstância, a sua ética da responsabilidade?

Como toda a gente sabe, e o Presidente melhor que ninguém, a crise é antiga, estrutural; e se não foi melhor combatida a outros motivos se deve; muitos, aliás, o têm dito: antes de ser económica, é uma profundíssima crise de valores e de convicções que chega às elites e fragiliza as lideranças.

Sem mudar estilos de vida e de liderança, Portugal não sairá da situação em que se encontra neste momento.

O mero calculismo político nunca resolve crises; pelo contrário, só as agrava.