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4º Domingo do Advento

Mas afinal quem é esse menino de que toda a gente fala nestes últimos dias? Quem é esse Jesus, do qual, mesmo dois mil anos depois do seu nascimento numa pequena aldeia de Israel, meio mundo fala e festeja?

Bem, o mensageiro que anunciou essa notícia à mãe de Jesus disse que ele seria o sucessor do rei David. Mas o que de facto aconteceu é que Jesus nunca se sentou num trono, e acabou por morrer como os piores criminosos do império Romano: numa cruz.

Então onde é que pára a promessa feita a David, de que um seu descendente construiria um palácio ao nome de Deus, e esse descendente seria Rei para sempre?

O autor sagrado está seguro de que Jahwéh, o Senhor da história, se preocupa com o caminho que os homens percorrem e encontra sempre forma de derramar o seu amor e a sua bondade sobre o Povo que ele próprio elegeu. Numa época em que a cultura dominante parece apostada em decretar a “morte” de Deus ou, pelo menos, em torná-lo uma inofensiva figura de cera e em exilá-lo para o museu das experiências pré-racionais, é importante para nós crentes não esquecermos esta certeza que a Palavra de Deus nos deixa: o nosso Deus preside à história humana, vem continuamente ao encontro dos homens, faz com eles uma Aliança, oferece-lhes a paz e a justiça e aponta-lhes o caminho para a verdadeira vida, a verdadeira liberdade, a verdadeira salvação.

A segunda leitura, repete a mensagem fundamental da primeira: Deus tem um plano de salvação para oferecer aos homens. O facto de esse projecto existir “desde os tempos eternos”, mostra que a preocupação e o amor de Deus pelos seus filhos não é um facto acidental ou uma moda passageira, mas algo que faz parte do ser de Deus e que está eternamente no projecto de Deus. Não esqueçamos isto: não somos seres abandonados à nossa sorte, perdidos e à deriva num universo sem fim; mas somos seres amados por Deus, pessoas únicas e irrepetíveis que Deus conduz com amor ao longo da caminhada pela história e para quem Deus tem um projecto eterno de vida plena, de felicidade total, de salvação. Tal constatação deve encher de alegria, de esperança e também de gratidão os nossos corações.

Aquela boa notícia que o anjo disse a Maria é a mesma que nós temos de dar aos homens de hoje. Mesmo com as tragédias que acontecem sempre por altura do Natal, que nos fazem parar e pensar no que andamos cá a fazer. Porque não importa o tempo que se vive. O que importa é viver plenamente o tempo que se tem. E eu acredito que os que morreram naquele voo levaram a sua vida cheia de coisas boas para dar a Deus, e ao menino Jesus.

E o que é que nos lhes vamos dar neste Natal?

Qual deve ser a resposta do homem? Na atitude de Maria não há qualquer sinal de egoísmo, de comodismo, de orgulho, mas há uma entrega total nas mãos de Deus e um acolhimento radical dos caminhos de Deus. É este desafio que somos convidados a realizar: tornar presente no mundo dos Homens o Reino de Deus porque é através de homens e mulheres atentos aos projectos de Deus e de coração disponível para o serviço dos irmãos, que Deus actua no mundo, que Ele manifesta aos homens o seu amor, que Ele convida cada pessoa a percorrer os caminhos da felicidade e da realização plena.

3º Domingo do Advento

“No dia seguinte o príncipe voltou.

– Era melhor teres vindo à mesma hora, disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, às três já eu começo a ser feliz. À medida que o tempo avançar, mais feliz me sentirei. Às quatro horas já começarei a agitar-me e a inquietar-me; descobrirei o preço da felicidade. Mas se vieres a uma hora qualquer, nunca posso saber a que horas hei-de vestir o meu coração… São precisos ritos.”

Este excerto de O Principezinho fala-nos da chegada e da alegria que ela provoca, não só o acontecimento mas sobretudo a sua expectativa, o antecipar a alegria que se vai aproximando. Também nós vamos preparando o nosso coração para receber o Amigo, vestindo o nosso coração de amor, humildade e calor para receber a maior maravilha de Deus.

As leituras deste domingo falam-nos dessa alegria, que vem daquilo que Deus faz por nós em cada dia: curar os corações atribulados, proclamar a redenção aos cativos, a liberdade aos prisioneiros. Esta palavra, que Jesus mais tarde leria na sua terra natal, é o programa de vida do Messias, e também o critério de vida para todos aqueles que fazem parte da sua vida, do seu corpo místico.

E nós, muitas vezes, corremos o risco de esquecer que devemos vestir o coração para receber este Principezinho, afogueados que andamos com mil e um preparativos que acabam por esconder o real motivo desta festa. Ou então vestido-o de tanta coisa que acaba por ficar sem espaço para o mais importante.

É por isso que S. João vai exortando os judeus a prepararem os caminhos do Senhor, e que, apesar de pregar no deserto, não descansa no anúncio da mensagem, com a consciência real do seu papel de preparador. Neste caso temos a certeza de que aquele que esperamos vem a horas certas.

Nesta linha S. Paulo diz aos Tessalonicenses para viverem com alegria, por causa da graça que receberam. E também hoje recebemos a mesma mensagem: temos de viver a nossa fé com alegria, e de a celebrar com espírito de festa. Mas tantas vezes as nossas missas são acontecimentos que mais parecem funerais, em que toda a gente está a fazer um grande frete. Se calhar porque normalmente as missas são celebradas pelas almas dos mortos.

Também Isaías anuncia a chegada daquele que anuncia a Boa-Nova aos infelizes, a tratar os corações torturados, a proclamar a emancipação aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar um ano de graça do Senhor. Esta mensagem de esperança e de alegria é dada não aos ricos e aos poderosos, mas ao mais humildes, aqueles que, aparentemente, não têm razões para se alegrar são os que receberão uma alegria verdadeira porque não é artificial, não provém de coisas mas de pessoas.

Mas o nosso deus não é um Deus de mortos, mas é o deus da Vida. E é isso que celebramos em cada natal, e em cada Eucaristia. Assim como João Baptista veio para dar testemunho da luz, cada um de nós tem de ser testemunha desta Luz, que nasce na Noite de natal, uma luz para cada homem, para o novo milénio, quase a começar.

“Os homens […] compram coisas feitas aos compradores. mas como não existem mercadores de amigos, os homens já não têm amigos”.

2º Domingo Advento

A crise está instalada. Os governantes prometeram a prosperidade e o fim dos problemas a todos e agora percebe-se que tudo era uma ilusão, que sem a responsabilidade individual não conseguimos progredir na vida. Onde encontrar então o alicerce para a nossa vida?

A liturgia do segundo domingo de Advento constitui um veemente apelo ao reencontro do homem com Deus, à conversão. Por sua parte, Deus está sempre disposto a oferecer ao homem um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz; mas esse mundo só se tornará uma realidade quando o homem aceitar reformar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.

O livro de Isaías, que lemos ao longo do Advento, diz: «Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.» Hoje sentimo-nos esmagados e frustrados porque a violência e o terrorismo marcam com sangue e sofrimento a vida de tantos dos nossos irmãos, ou porque os pobres e os fracos são esquecidos e colocados à margem da história, ou porque parece que a sociedade se constrói com egoísmo, com indiferença e com exclusão. Sabemos que Deus é a nossa salvação, que nos dá razões para viver, para aceitarmos a vida que temos, procurando fazer a diferença.

Lembremo-nos do que João Baptista veio anunciar: a mudança do coração, o aplanar dos caminhos (tornar o coração recto, para distinguir o certo e o errado), um baptismo de penitência. Uma transformação pessoal para descobrir que Deus gosta de nós e que se interessa por nós.

Para os não crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores efémeros, os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os êxitos humanos) que devem constituir a prioridade e que devem dominar a existência, mas sim os valores de Deus.

S. Pedro diz-nos: «Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz.»

Não estamos abandonados, não somos fruto de um mero acidente ou acaso. Somos pessoas, que apenas são verdadeiros se forem capazes de interagir com as outras pessoas. E é nessa colectividade da existência humana que encontramos a verdadeira felicidade e a alegria profunda, que é dada por uma vivência com sentido, com um fim consciente.

Deus quer a nossa felicidade, não quer a nossa condenação. E faz tudo para que nós encontremos esse caminho, mas respeita a nossa autonomia, a nossa situação de adultos. Era mais fácil se fôssemos como as crianças, em que houvesse sempre alguém fazer as coisas por nós. Podia ser mais cómodo, mas assim a vida deixava de ter sentido porque seriamos meros objectos, quase como máquinas, sem responsabilidade, sem a liberdade de poder decidir a nossa vida e sem a alegria da descoberta diária do mundo que nos rodeia.

1º Domingo do Advento

Como é que sabemos que o Natal está a chegar? Porque ao nosso lado já se começa a sentir a agitação típica deste tempo: as ruas enchem-se de luzes, as montras começam a estar enfeitadas com motivos natalícios, há cada vez mais publicidade a brinquedos, presentes e outras coisas para gastar neste natal.

Mas também há outros sinais, que nem toda a gente percebe. Um desses sinais é o Tempo de Advento que começa neste domingo, também para nos preparar espiritualmente para acolhermos o Salvador. A liturgia deste primeiro Domingo do Advento convida-nos a equacionar a nossa caminhada pela história à luz da certeza de que “o Senhor vem” e apresenta aos crentes indicações concretas acerca da forma devem viver esse tempo de espera.

O profeta Isaías escreve num contexto de reconstrução do país e da cidade de Jerusalém, depois do regresso do exílio: o povo, que regressou sem nada e continua rodeado de inimigos, sente-se desanimado indiferente face a Deus e à Aliança. O Povo dirige-se ao Deus da história, pedindo-lhe que intervenha para salvar; e, uma vez que a desgraça é considerada castigo pelos pecados, o Povo confessa a culpa e pede perdão.

Deus é o “oleiro” e o seu Povo é o barro que o artista modela com amor e cuidado. A imagem serve, certamente, para definir o poder e o senhorio de Deus que pode modelar o seu Povo como bem lhe aprouver; mas, provavelmente, faz também alusão àquilo que o profeta espera de Deus: uma nova criação.

Só Deus é fonte de salvação e de redenção. Nós, por nós próprios, somos incapazes de superar essa rotina de indiferença, de egoísmo, de violência, de mentira, de injustiça que tantas vezes caracteriza a nossa caminhada pela vida. Deus, o nosso “Pai” e o nosso “redentor”, é sempre fiel às suas “obrigações” de amor e de justiça e está sempre disposto a oferecer-nos, gratuita e incondicionalmente, a salvação. A nós, resta-nos acolher o dom de Deus com humildade e com um coração agradecido.

A segunda leitura é o início da carta de S. Paulo ao Coríntios, que nos apresenta uma “acção de graças”, em clima de oração e de louvor, em que ele agradece a Deus pelos dons concedidos à comunidade cristã de Corinto, ao mesmo tempo que antecipa temas que vai depois desenvolver na carta.

Cada comunidade cristã é uma realidade continuamente enriquecida pela vida de Deus. Através dos seus dons, Deus vem continuamente ao encontro dos homens e manifesta-lhes o seu amor. É por isso que cada um de nós deve viver numa permanente atitude de escuta e de acolhimento desses dons para que sejamos cada vez mais fiéis ao Evangelho e ao projecto de Deus para nós.

O Evangelho situa-nos em Jerusalém, pouco antes da Paixão e Morte de Jesus. É o dia dos “ensinamentos” e das polémicas mais radicais com os líderes judaicos. No final desse dia, já no “Jardim das Oliveiras”, Jesus oferece a Pedro, Tiago, João e André um amplo e enigmático ensinamento, que ficou conhecido como o “discurso escatológico”. A missão que Jesus confia à sua comunidade não é uma missão fácil: está consciente de que os seus discípulos terão que enfrentar as dificuldades, as perseguições, as tentações que “o mundo” vai colocar no seu caminho, por isso precisam de estímulo e alento ao longo da história.

Estar “vigilante” significa assim cumprir, com coerência e sem meias tintas, os compromissos assumidos no dia do baptismo e ser um sinal vivo do amor e da bondade de Deus no mundo.

O Poder do Serviço

Neste dia de Cristo Rei o que é que celebramos? O poder? Uma forma de ser?

Desde sempre as relações entre o poder e a religião foram muito íntimas. Ainda hoje podemos dizer que alguns dos maiores problemas da Igreja estão ligados a formas de poder.

Mesmo a divisão hierárquica da Igreja, ao estar centrada em relações de poder é imperfeita. A Igreja possui antes uma estrutura trinitária: Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo. Neste sentido o que importa é o serviço, que se revela nos ministérios e nos carismas existentes dentro de si.

É por isso que, na igreja, todos são importantes. E é por isso que à Igreja não se pode aplicar nenhuma das formas de regime político conhecido: democracia, ditadura, república, monarquia, etc. É essa diferença que celebramos hoje.

Deus pela boca do profeta Ezequiel, que escreveu durante o exílio da Babilónia, consola o povo dizendo: “Hei-de exercer a justiça entre as ovelhas, carneiros e cabritos”, significando assim que não faz excepções entre as diversas pessoas; todas têm o mesmo valor, porque cada uma é imagem de Deus, cada uma é criada individualmente por um desígnio de amor. Esta igualdade de condição também se manifesta na igualdade da forma de viver aquilo em que acredita: plena e empenhadamente, como um serviço.

Cristo é o primeiro a dar-se totalmente aos irmãos. Fez-se tudo para todos e a sua entrega foi total. O seu amor derrotou o mal, assim como a luz acaba com a escuridão. Ele foi o primeiro a vencer a morte, é por isso que S. Paulo escreve aos coríntios dizendo que Jesus “surgiu de entre os que morreram como os primeiros frutos da seara.”

Assim Ele é exemplo para todos nós, e é por Ele que seremos um dia restituídos à Vida, e assim Deus será tudo em todos, o Reino de Deus atinge a sua plenitude e completa-se a Criação.

Então de uma forma prática não podemos ficar sentados à espera que isto acabe para aparecer uma nova vida. Temos algo para fazer, à semelhança de Jesus: o nosso poder reside no Amor. Quando Jesus nos diz: “Na medida em que o fizerdes a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes” está a dizer também que todos somos seus irmãos e que não nos podemos descartar da nossa tarefa, mesmo sendo a mais humilde, ou a mais honrosa, porque o que conta é o amor com que fazemos essa tarefa.

Somos directamente responsáveis pela vida dos nossos irmãos. A nossa felicidade, e a felicidade do próprio mundo, reside na capacidade da entreajuda. Cada vez que vemos alguém que sofre temos o dever grave de ajudar esse nosso irmão. Se calhar é uma utopia tornar o mundo absolutamente justo, torná-lo um lugar onde reine a paz, o equilíbrio entre todos os homens, e com mundo onde vivem.

O nosso poder está no amor que é capaz de mover montanhas, de tornar como manteiga os corações de pedra. Um amor capaz de mudar aquilo que Deus não muda (nós mesmos) porque respeita absolutamente a liberdade que nos deu.

“Tive fome, e me destes de comer”

33 Domingo Comum

Acomodação ou coerência?

O tempo em que vivemos está carregado de contradições.

Numa altura em que as associações (de estudantes, desportivas e culturais, de países, etc.) se vão multiplicando mais aumenta o individualismo e egoísmo: que se encontra nas novas igrejas (seitas) que se centram apenas na realização de milagres, de curas de criação do bem-estar pessoal; que se encontra na programação que a televisão nos apresenta, manipulando os nossos valores, tudo submetendo aos critérios comerciais; etc.

Quanto mais se apregoa a liberdade mais se procura limitar essa mesma liberdade das pessoas para salvaguardar a segurança desta sociedade estrutural em que vivemos. Lembremo-nos do que aconteceu com as restrições à liberdade pessoal criadas depois de 11 de Setembro do ano passado.

Quando mais se proclama a igualdade entre as pessoas, mais aparece a sua separação: aumento do racismo, contra todos aqueles que não pertencem ao nosso grupo, apesar de não sabermos muito bem qual é ele; a própria mulher que tanto lutou e continua a lutar por uma igualdade aparece cada vez mais como instrumento dos desejos do homem.

Exemplo destas situações é a doutrina do “politicamente correcto” que se vai impondo cada vez mais na nossa sociedade, sinal do seu desequilíbrio em que já nada é natural, mas tudo é uma imagem (virtual) que se vai criando.

Por isso na primeira leitura se diz que uma mulher de valor é mais preciosa do que as pérolas. Porque não é apenas uma fachada bonita para alegrar a vida dos homens, mas porque é uma pessoa com características próprias, complementares do homem. Nesse tempo o valor duma mulher estava no trabalho doméstico. Qual é hoje o real valor de uma mulher? Mesmo que seja doutora ou engenheira.

As contradições que viemos lembram-nos para estarmos sempre alerta. O tempo que temos é relativo por isso é sempre pouco para o que queremos. Mas devemos estar preparados, porque todos os impérios caíram quando a segurança de transformou em desleixo. S. Paulo diz que quando os ímpios disseram: “paz e segurança”, então é que súbita ruína cairá sobre eles e não poderão escapar.

No Evangelho Jesus conta-nos uma parábola para mostrar que é preciso progredir sempre nas coisas de Deus. Não se pode descansar com o que se tem pois isso é fugir à responsabilidade de fazer avançar o mundo. É por isso que aquele que escondeu o seu talento na terra ficará sem nada, porque teve medo.

Durante esta semana lembremo-nos de que o ser verdadeiro implica uma coerência com aquilo que acreditamos verdadeiramente Que não nos deixemos guiar apenas por aquilo que os outros fazem ou dizem, acomodando-nos ao que está na moda.

Ser cristão sempre significou viver numa certa insegurança, então nesta época de actividades radicais, vamos viver radicalmente a insegurança da nossa fé, sabendo que a corda que nos segura é o próprio Jesus Cristo.